Rio, 17 (AE) - A família de Janaína Cristina da Silva, de 32 anos, morta por uma bala perdida ontem (16) à noite, no Morro da Divinéia, zona norte do Rio, vai processar o Estado. Janaína estava fazendo um bolo, em sua casa, quando ouviu tiros. Ela foi até a porta chamar a filha, que brincava na vizinhança, e foi atingida na cabeça por um tiro de fuzil.
No início da tarde de hoje um estudante foi ferido por bala perdida - o terceiro caso em três dias - em um tiroteio entre policiais e traficantes no morro da Mineira, também na zona norte. Dois supostos traficantes forma mortos.
De acordo com vizinhos, Janaína foi morta por policiais militares, que teriam subido o morro atirando. O delegado da 20.ª Delegacia de Polícia (Grajaú), Heitor Gonçalves, começou a ouvir os familiares dela hoje."Vamos identificar os policiais que participaram da ação e tomar medidas como a apreensão das armas", afirmou o delegado, sem dar mais detalhes sobre a investigação.
Perguntado sobre os casos de bala perdida, o governador do RJ, Anthony Garotinho, limitou-se a dizer que "tudo o que é possível está sendo feito". O governador não comentou a ameaça de processo.
O marido de Janaína, o carteiro Adauto de Oliveira, esteve hoje pela manhã no Hospital do Andaraí, onde ela morreu. Ele disse que a mulher estava feliz com o fogão novo que ele havia lhe dado e preparava um bolo, enquanto dois dos filhos do casal assistiam televisão na sala. "Quando ela ouviu os tiros foi até a porta da cozinha, mas foi morta antes de gritar pela filha", contou.
Ferido - O estudante Nilton Vitório dos Santos, de 17 anos, foi ferido nas costas por uma bala perdida durante um tiroteio entre policiais militares e traficantes do Morro da Mineira, na zona norte, hoje à tarde. Ele está internado no Hospital Souza Aguiar, no centro, e não corre risco de vida. Policiais do 1.º Batalhão da PM (Estácio) foram ao morro por causa de uma denúncia anônima de que haveria drogas e armas em um dos barracos. Foram apreendidos um fuzil, uma pistola, cocaína e maconha, que estavam abandonados.
De acordo com a polícia, os PMs foram recebidos a tiros pela quadrilha que comanda o comércio de drogas no local. Dois supostos traficantes foram baleados e levados para o Hospital Souza Aguiar, mas morreram. Ninguém foi preso.
O advogado aposentado Hélio Ligarde Oliveira, de 82 anos
ferido na perna direita por bala perdida na segunda-feira, deve receber alta na sexta-feira. Oliveira estava dormindo no seu apartamento, em Copacabana, na zona sul, quando foi atingido.

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