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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 17 (AE) - O Brasil quer que a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação adote metas objetivas para os próximos 10 anos. A intenção é estabelecer parâmetros que permitam melhor avaliação das ações desenvolvidas no combate à desertificação e comprometer mais efetivamente os países signatários da Convenção.
A proposta - chamada "Mandato do Recife" - será apresentada em plenária, no final da Terceira Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), informou hoje o chefe da delegação brasileira na Convenção, o diretor-geral do Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Guerreiro. A Conferência começou na segunda-feira (15) e termina no dia 26, no Centro de Convenções, em Olinda, reunindo cerca de 2,5 mil participantes de 159 países.
Caso a proposta seja aprovada, técnicos convocados pela Convenção terão prazo de um ano para estabelecer metas nas áreas de reflorestamento, energia, recursos hídricos e melhoria da qualidade das regiões afetadas pelo fenômeno. Elas serão submetidas a aprovação na conferência do próximo ano, na ásia, a COP-4.
A proposta brasileira tem o apoio das Organizações Não-Governamentais (ONGs) que participam de fórum paralelo e defendem o estabelecimento de metas e prazos como forma de se avançar no combate à desertificação.
Caatinga - O governo de Pernambuco vai cobrar do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, que na próxima semana transfere seu ministério para o Recife, uma definição sobre a proposta estadual de transformar o ecossistema da caatinga em patrimônio nacional, a exemplo do que foi feito com a Amazônia e Pantanal.
A caatinga cobre quase 90% da área do semi-árido nordestino, onde estão os núcleos de desertificação do Brasil. Tem uma biodiversidade muito rica e abriga espécies vegetais e animais em extinção, como a árvore baraúna e a ave ararinha azul. Alexandrina Sobreira, única delegada pernambucana no COP-3 e secretária-adjunta da secretaria estadual de Ciência e Tecnologia, ressaltou que a medida garantiria mais investimentos para se combater a desertificação e promover a preservação da área. Na condição de patrimônio nacional, argumenta, a caatinga teria tratamento prioritário pelo governo brasileiro.


