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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 17 (AE) - A Air Products Polymers, subsidiária da multinacional norte-americana de químicos Air Products, anunciou hoje que vai investir US$ 50 milhões em uma unidade petroquímica no Brasil, cuja a construção está prevista para abril de 2001 e a entrada em operação em abril de 2003. Até 2002, outros US$ 10 milhões serão investidos na duplicação da capacidade instalada da Química da Bahia, que passará das atuais 25 mil toneladas/ano para 50 mil t/ano de aminas - reação entre amônia e álcool que compõe defensivos agrícolas.
Essa indústria (ex-Norquisa e Oxiteno) foi comprada por US$ 15 milhões em 1998 e tem como maior cliente a Monsanto, que incrementa a produção de defensivos devido à entrada das suas sementes transgênicas no mercado - são mais resistentes aos antigos herbicidas, exigindo químicos cada vez mais fortes para protegê-las.
A nova fábrica, com capacidade instalada de 25 mil t a 75 mil t de emulsões (colas) para a indústria de adesivos, deverá ser instalada no Pólo Petroquímico de Camaçari (BA) ou no de Planalto Paulista (Paulínia - SP). O vice-presidente da Air Products para a América Latina, Frederick Fisher, adianta que a localização não deverá se pautar por incentivos fiscais. "O que interessa é a facilidade de distribuição dos produtos. Talvez Camaçari não seja a melhor opção." disse o diretor comercial da subsidiária brasileira, Pedro Mauro Pita.
De acordo com Pita, o potencial de consumo sul-americano para esse tipo de produto é de 15 mil a 20 mil t/ano. Desse total, a maior demanda é a brasileira, de 4 mil t/ano, sendo que 3 mil t/ano (75%) já são fornecidas pela Air Products, que importa o Airflex (nome comercial da emulsão) das suas 11 unidades, com capacidade total de 680 mil t/ano, instaladas na Coréia do Sul (duas), Alemanha (duas), México (uma) e Estados Unidos (seis).
A escolha do Brasil para implantar sua 12ª unidade se explica também pela inviabilidade de sustentar o mercado continental a partir de importações. "A alíquota em 17% e a disparidade do dólar encarecem muito o produto, o que faz com que, hoje, tenhamos de absorver alguns custos", informou Pita.
O diferencial do Airflex é a sua formulação composta por acetato de vinila monômero com o etileno (Vinil Acetato Etileno, insumo petroquímico), o que gera maior economia na produção, porque reduz as etapas de fabricação. "A injeção de etileno na emulsão, dentro do reator, torna a produção mais regular. Um de nossos objetivos estratégicos é sermos líderes mundiais nessa tecnologia", disse o diretor internacional da divisão de Emulsões, Bertil Mukkulainen. Normalmente, explica ele, as emulsões são produzidas em várias fases: primeiro, se fabrica o homopolímero para depois acrescentar os aditivos, que vão proporcionar determinadas características, de acordo com a aplicação desejada.
A Air Products não informa qual a redução de custos obtida pela troca de tecnologias de produção, mas garante que é a líder mundial e a única que fabrica o produto em três continentes.
Do faturamento bruto de US$ 5 bilhões, no exercício fiscal de outubro de 1998 a setembro deste ano, a multinacional obteve lucro líquido de US$ 450 milhões. Os investimentos anuais da holding são de US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão anuais. O montante a ser investido no Brasil é próprio. E, desde quando começou a atuar no País, em 1973, a holding já investiu US$ 200 milhões - desses, US$ 125 milhões nos últimos cinco anos. A empresa atua em mais de 30 países e emprega 17 mil pessoas.


