Salto, SP, 17 (AE) - Funcionários da Indústria de Papel de Salto, única fabricante de papel-moeda do País, estão mobilizando a população local para um ato público, a ser realizado na sexta-feira, em defesa da fábrica. Segundo o líder dos trabalhadores, Antônio Carlos Bonatti, a decisão do Banco Central de importar 250 milhões de cédulas plásticas da Austrália levará a empresa a demitir, de imediato, 50 dos 320 funcionários. A informação foi confirmada pelo diretor da empresa, Michel Jaques. Segundo ele, o volume importado, se confirmado, será suficiente para suprir um quarto da demanda anual.
As cédulas serão transformadas em notas comemorativas dos 500 anos do Descobrimento. "Se houver novas importações para substituir o papel-moeda, a fábrica vai fechar", disse.
Familiares dos empregados fizeram "pedágios" hoje nas principais ruas e avenidas convocando a população para o protesto. Bonatti espera a participação de pelo menos 3 mil pessoas no ato, que começará com uma concentração na Praça XV de Novembro, saindo em passeata até a Praça Archimedes Lamóglia, onde haverá manifestações.
Sindicatos, associações de bairros, vereadores e deputados estaduais deverão participar. "Queremos chamar a atenção das autoridades para o risco de desemprego e da perda da fábrica, que é um patrimônio da cidade", disse Bonatti. A Câmara local aderiu ao movimento e uma comissão de empregados conseguiu que a a Assembléia Legislativa aprovasse, ontem, uma moção de repúdio à decisão do BC. Na próxima semana, o grupo terá audiência com o governador Mário Covas.

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