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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 17 (AE) - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, confirmou hoje a terceira intervenção no mercado de câmbio em 20 dias. Embora o BC seja obrigado a divulgar comunicado sobre a intervenção, Fraga antecipou a confirmação, mas sem revelar valores.
Desde que ganhou o fôlego de mais US$ 2 bilhões para conter a alta do dólar, possível com a renegociação com o Fundo Monetário Internacional, em outubro, o BC tem feito intervenções antes de a cotação disparar.
A intervenção de hoje, exatamente uma semana depois da última, ocorreu no momento em que o dólar estava pressionado e se valorizava. Depois de ter aberto em R$ 1,9320, a moeda americana chegou a R$ 1,9390 quando o BC interveio. Na avaliação de analistas de mercado, essa oscilação, contida pela intervenção do BC, foi provocada pelo fluxo negativo cambial - entrada de dólar abaixo da saída.
Inflação - Armínio Fraga admitiu que a pressão no câmbio foi um dos fatores que pressionaram a inflação. Além disso, segundo ele, houve o impacto da entressafra - que elevou o preço da carne -, o fim do acordo automotivo e o preço do petróleo. Ele disse que o governo já trabalha com a expectativa de fechar o ano com inflação acima de 8%. "Vai ser oito e um pouquinho", disse.
A meta para este ano é de 8%, com espaço de dois pontos percentuais acima ou abaixo. Com isso, a inflação poderia variar este ano entre 6% e 10%. Com a inflação superando os intervalos, o presidente do BC será obrigado a escrever uma carta ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, explicando as razões pelas quais o índice previsto foi superado.
Fraga também confirmou que na revisão do acordo com o FMI foram previstas metas trimestrais de inflação, mas não deu detalhes. O secretário-executivo da Fazenda, Amaury Bier, afirmou que, pelas novas regras, se a inflação ultrapassar 9%, o governo deverá dar explicações aos técnicos do Fundo que negociam com o Brasil. Na hipótese da inflação anual superar 10%
as explicações são devidas ao conselho-diretor do FMI.
Fiscalização - Fraga anunciou hoje a criação do Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros, que será chefiado por Ricardo Liao, funcionário do Departamento de Fiscalização do BC. Esse departamento terá, entre outras incumbências, de acompanhar as operações de câmbio e a apuração de irregularidades do sistema financeiro.


