São Paulo, 17 (AE) - O receio de um descontrole da inflação puxou hoje as projeções de juros futuros, forçou uma acentuada realização de lucros no mercado acionário doméstico e pressionou o dólar, forçando o Banco Central (BC) a intervir.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 2,40%. A moeda-americana chegou a ser negociada por R$ 1,9390, mas recuou para R$ 1,929 depois da atuação do BC para segurar a cotação e acabou fechando em R$ 1,931, em queda de 0,2%. As projeções de juros futuros pularam de 22,17% para 22,79% ao ano nos contratos de março, os mais negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O C-Bond, principal título da dívida externa renegociada, também fechou com forte queda de 2 81%.
Diante dos resultados recentes dos índices de inflação, o mercado financeiro ficou desconfiado com os dados que serão divulgados amanhã relativos à segunda prévia do IGPM de novembro. Especulou-se muito em torno do número, que poderia passar do 1,14% da primeira prévia para algo em torno de 2%.
O Índice de Preços ao Consumidor ( IPC), a ser divulgado pela Fipe na sexta-feira, também foi alvo de especulações, que desencadearam no fim da tarde uma onda de boatos sobre a convocação de uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir por uma nova alta nas taxas de juros domésticas.
Fraga - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, não quis sequer comentar o boato. Disse apenas que, se fosse falar para desmenti-lo, teria de, a todo momento, fazer desmentidos de informações "como essa".
Fraga, no entanto, confirmou a intervenção no mercado de câmbio, que ocorreu justamente após as reservas internacionais terem recebido reforço de US$ 1,1 bilhão com a aprovação do crédito do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Com esse dinheiro, as reservas fecharam em US$ 40,6 bilhões. A intervenção de ontem foi a terceira desde que o governo renegociou o piso das reservas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Operadores do mercado acionário observaram que a queda da Bovespa não ocorreu com forte volume de negócios. Um sinal de que o movimento se restringe mesmo à realização dos lucros obtidos nas últimas semanas, sem indicar tendência. Até porque a Bolsa de Nova York registrou desvalorização de apenas 0,45%, hoje.

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