Rio, 17 (AE) - As ações ordinárias que excedem o percentual do controle da Vale do Rio Doce e que estão nas mãos do governo poderão virar papéis preferenciais, com menos poder nas decisões da companhia. A proposta faz parte das discussões em torno da modelagem para a venda dessas ações papéis (cerca de 31% de ON), coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que conta também com a participação da mineradora.
O diretor-executivo do Centro Corporativo e de Relações com o Mercado da Vale, Gabriel Stoliar, comentou hoje, durante uma apresentação na Associação Brasileira de Analistas do Mercado de Capitais do Rio (Abamec/Rio), que a conveniência da unificação foi levantada para evitar que os papéis da Vale que estão no mercado, todos praticamente preferenciais, não percam liquidez com a entrada das ações ordinárias.
Stoliar ressalvou, no entanto, que se trata apenas de uma possibilidade levantada durante as reuniões e que não há ainda nenhuma proposta formal sobre o assunto. "Tudo não passa de considerações que são de conhecimento do mercado", comentou. Pela Lei de Sociedades Anônimas (S/A), o capital social de uma empresa pode ser constituído com um terço de ordinárias para dois terços de preferenciais.
A Vale tem hoje um terço de preferenciais e dois terços de ordinárias. As ações ordinárias recebem o mesmo tratamento que as preferenciais em relação a dividendos. Em contrapartida, os preferencialistas podem votar no Conselho Fiscal, mas continuam sem representante no Conselho de Administração, que é o que toma as decisões da empresa. Segundo a avaliação de um acionista de um grande banco de investimentos, o governo lucraria muito mais se vendesse as ações em forma de preferenciais, uma vez que esses papéis valem mais no mercado que os ordinários.
Em virtude dessa e de outras questões que estão sendo levantadas pelo governo - como a forma de colocação dos papéis (pulverizado ou em bloco) -, o executivo destacou que o leilão não deverá ser feito ainda este ano. Segundo ele, as previsões do BNDES apontam para uma venda entre os meses de março e abril do ano que vem. "Seria precipitado vender ainda este ano uma vez que o governo ainda tem que tomar certas decisões", avaliou. Além disso, acrescentou, em março ou abril outras questões como o bug do milênio e o processo de negociação de preço da Vale já terão sido superadas.
O executivo destacou, no entanto, que a modelagem e o "timing" (tempo certo) para a venda está sendo definido pelo governo, que é o dono das ações. Mas, segundo ele, a Vale está acompanhando as conversas "para não permitir que haja prejuízo para o seu acionista".

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