Buenos Aires, 17 (AE) - O crescente aumento dos cacarejos dos frangos brasileiros entrando na Argentina está preocupando os produtores locais deste galináceo: estes abandonaram as negociações com os produtores brasileiros na expectativa de que o governo argentino aplique medidas antidumping contra os frangos provenientes do Brasil.
No dia 25 de novembro a Comissão Nacional de Comércio Exterior avaliará os protestos argentinos, ouvirá a posição brasileira, e tomará 15 dias para dar um parecer, o que coincidirá com a posse do novo governo. No entanto, existe expectativa que a decisão será favorável às medidas antidumping, já que na Sub-Secretaria de Comércio Exterior existe um relatório que indica dumping nos frangos brasileiros.
No ano passado, produtores dos dois países chegaram a um acordo de cotas, interrompido pelos argentinos em abril deste ano. Os produtores locais alegavam que o acordo não poderia ser mantido por causa da desvalorização do real, que tornava o frango brasileiro mais competitivo do que já era no mercado argentino. Ao longo dos meses, as negociações terminaram sem resultados.
Na semana passada, a Câmara de Empresas Processadoras Avícolas (CEPA) endureceu sua posição, e pediu o fechamento da fronteira com o Brasil, alegando que há uma invasão de frangos brasileiros
embora não tenha fornecido as estatísticas.
O presidente da CEPA, Roberto Domenech, declarou à imprensa que "por enquanto, as negociações com os empresários brasileiros não podem continuar. Não há garantias que possa ser cumprido qualquer acordo que façamos".
Analistas consideram que mais do que algumas poucas vantagens que um acordo setorial poderia proporcionar-lhes, os produtores argentinos desejam a mais conveniente aplicação de medidas anti-dumping.
Além disso, esperam que dentro do alardeado "relançamento" do Mercosul proposto pelo novo governo, que toma posse no dia 10 de dezembro, os frangos sejam incluídos em um acordo global.

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