PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 17 (AE) - O combate a probreza no Brasil ainda é meta para o governo, mas já é uma realidade para muitas empresas do País. Um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) revelou que 67% das empresas da Região Sudeste promoveram atividades sociais voltadas para a comunidade este ano. Ou seja, 300 mil empresas com mais de um funcionário atuaram em benefício da população. A Pesquisa Ação Social das Empresas foi o primeiro levantamento realizado no Brasil sobre atividades sociais.
O estudo analisou uma mostra de 1.752 empresas da Região Sudeste e tomou como base um universo de 445 mil companhias cadastradas no Ministério do Trabalho. A segunda etapa da pesquisa deve ser concluída em março, detalhando os setores mais contemplados e o valor médio dos gastos das empresas com a área social. Uma das surpresas foi detectar que o número de empresas que ajudam a comunidade supera os que realizaram projetos sociais para os funcionários. Na Região Sudeste, 63% das empresas oferecerem benefícios não obrigatórios por lei aos trabalhadores.
A coordenadora do estudo, Anna Maria Peliano, acreditava que as companhias tivessem um comprometimento maior com seus funcionários do que com a população. "O grau de envolvimento dos empresários surpreendeu e mostra que o setor percebeu a necessidade de contribuir para aliviar os problemas sociais", explicou. O mais comum, porém, é o empresário atuar nas duas frentes. Cerca de 45% das empresas promovem ações sociais destinadas à comunidade e aos trabalhadores. Pelo estudo, apenas 16% das companhias da região ficaram à margem do crescimento das ações sociais no País.
O Estado que mais se destacou na promoção de ações sociais para a comunidade foi Minas Gerais, onde 81% das empresas declararam ter realizado este tipo de atividade. Em segundo lugar veio São Paulo, com participação de 66% das companhias. "Aspectos religiosos e culturais são mais importantes do que descontos fiscais ou rendimentos", explicou a coordenadora.
Alimentação e saúde - Os dados preliminares da segunda fase da pesquisa indicam que grande parte das atividades sociais dirigidos aos funcionários se concentra nas áreas de alimentação e saúde. Já a comunidade é mais beneficiada com doações de recursos para instituições filantrópicas ou religiosas.
A classificação de ação social do instituto é extremamente ampla. Qualquer projeto ou doação de recursos para pessoas e entidades públicas ou sem fins lucrativos foram considerados como atividades sociais. Entraram também no cálculos os programas empresariais promovidos em parceria com o governo. Setores - O comércio e a indústria foram os mais atuantes junto as comunidades este ano. Segundo a coordenadora, esses segmentos têm maior ligação com a comunidade e a "política da boa vizinhança" é importante para o desempenho dessas atividades. Já as empresas de construção civil foram as que menos se atuaram em benefício da população.
O quadro se inverte quando se analisa a atuação das companhias em relação aos seus empregados. Os maiores ganhos sociais são obtidos no setor da construção e o pior no comércio. Anna Maria Peliano lembrou que boa parte dos funcionários do comércio é de trabalhadores temporário ou sem carteira assinada.


