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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Ribamar Oliveira Enviado especial 
Roma, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que o governo não é o culpado pela alta dos preços, como alguns empresários e sindicalistas chegaram a dizer. Fernando Henrique admitiu que alguns preços administrados subiram nos últimos meses, como as tarifas de telefone e de energia elétrica, mas o presidente ressaltou que esses aumentos não foram decretados pelo governo. "Quem regula essas tarifas não é mais o governo, mas as agências reguladoras", disse, numa referência à Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "Existem contratos (com as empresas privadas que exploram os serviços)", explicou.
No caso dos preços dos combustíveis, também apontados pelos empresários como fonte de pressão sobre a inflação, o presidente disse que os aumentos autorizados não resultaram da vontade do governo. "Os preços dos combustíveis não subiram em função do governo, mas em função do aumento do preço do petróleo no mercado internacional".
Em rápida conversa com os jornalistas, pouco depois de desembarcar no aeroporto militar de Ciampino, em Roma, o presidente Fernando Henrique afirmou que o aumento dos preços administrados não pode servir de pretexto para que os empresários aumentem os preços de seus produtos de forma generalizada. "Não pode ser pretexto para que haja uma contaminação dos outros preços".
O presidente negou que tenha ameaçado os empresários, que estão subindo preços, com a elevação das taxas de juros. Em sua última reunião, no dia 10 de novembro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu não reduzir os juros, que estão em 19% ao ano, por causa da inflação. "Não fiz ameaça nenhuma", disse Fernando Henrique. "Estou simplesmente pedindo para que todos tenham consciência de que se um preço sobe, os outros não precisam necessariamente subir".
Para ele, quando se baixa a inflação e se evita a alta de preços, mais depressa é possível reduzir a taxa de juros. Na avaliação do presidente Fernando Henrique, querer saber de quem é a culpa pelo retorno da alta do custo de vida não resolve o problema. "O povo quer saber é como resolver essas questões". O presidente disse que se todos se conscientizarem - empresários
governo e consumidores - de que é possível evitar a alta de preços, a inflação não voltará. "Não há razão para que estejamos pensando em volta da inflação", disse. "Há razões para que continuemos empenhados em reduzir a taxa de juros e retomar o crescimento".
Sivam - Ao desembarcar no aeroporto militar de Ciampino, o presidente foi recebido pelo embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, pelo embaixador junto ao Vaticano, Marco César Meira Naslausky, e pelo embaixador junto à Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Júlio César Gomes dos Santos.
É a primeira vez que Júlio César encontra oficialmente Fernando Henrique e Dona Ruth Cardoso, depois do escândalo do Sivam, que terminou com a demissão do embaixador da chefia do Cerimonial do Palácio do Planalto.
Por desconfiarem de suposto envolvimento de Júlio César dos Santos em negociações para a compra de equipamentos para o Sivam - sistema integrado de vigilância da Amazônia - agentes da Polícia Federal grampearam, sem autorização judicial, o telefone do embaixador e gravaram conversas dele com o próprio presidente. Júlio César iria participar hoje de jantar com Fernando Henrique na sede da embaixada, que contaria com as presenças dos ministros Aloysio Nunes Ferreira e Raul Jungmann.
Amanhã o presidente Fernando Henrique Cardoso discursará na trigésima assembléia da FAO sobre questões relacionadas com a segurança alimentar e a luta contra a desnutrição. Na sexta-feira, o presidente terá um encontro de cerca de 20 minutos com o papa João Paulo II, no Vaticano. Depois, será homenageado com um almoço pelo presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi.


