Florianópolis, 17 (AE) - As empresas distribuidoras de gás canalizado querem que o governo federal adote urgentemente uma política de preços do gás natural que inclua as despesas com o transporte do produto. A unificação de preços adotada pelo governo gerou insatisfação no setor porque não considerou a característica de cada mercado, ou se o estado é produtor ou consumidor do combustível. "Não podemos definir preços que prejudiquem o cliente, o distribuidor e o produtor", disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Cícero Ernesto Leite de Sousa. Ele encontrou-se com empresários e participou de uma reunião da Abegás na sede da Federação das Indústrias, em Florianópolis (SC).
Há dois meses as 16 empresas distribuidoras aguardam um posicionamento do governo. O projeto que trata da política de preços do gás natural foi entregue no dia 16 de setembro ao ministro das Minas e Energia, e até agora não teve definição. "A nossa proposta quantifica exatamente o preço do produto e o preço da tarifa de transporte", explica o secretário-executivo da Abegás, Ronaldo Kohlmann. Hoje, o preço unificado de venda do gás natural da Petrobrás para as distribuidoras, R$ 0,13 por metro cúbico, desconsidera as despesas com o transporte. Na venda ao consumidor o preço do combustível chega a R$ 0,21, tanto para uso comercial, industrial ou automotivo.
O gás importado é um outro problema enfrentado pelas empresas distribuidoras, já que o seu preço varia de acordo com o mercado internacional e a flutuação do câmbio. Enquanto o gás nacional é vendido a R$ 0,13, o gás boliviano chega a R$ 0,17. "O gás da Bolívia tem indexações com o óleo combustível do Golfo do México e do óleo combustível europeu", explica o presidente da Enron Gás do Brasil, empresa líder mundial na comercialização de energia, Rick Waddell. Por enquanto, até o gasoduto Bolívia-Brasil entrar em funcionamento, somente São Paulo importa gás da Bolívia, cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos por dia.
Dentre os projetos em implantação hoje no Brasil o mais avançado é o do gasoduto Bolívia-Brasil, cujo primeiro trecho, entre Rio Grande, Santa Cruz de La Sierra, e Paulínia, em São Paulo, com um total de 1.970 Km, encontra-se em fase pré-operacional. Quando concluído, o empreendimento terá 3.150 quilômetros, capacidade de transporte de 30 milhões de metros cúbicos por dia e se estenderá até Porto Alegre, atravessando cinco estados e 135 municípios.

mockup