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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 17 (AE) - A Petrobras reduziu seu prejuízo neste ano, passando de R$ 1,032 bilhão para R$ 702 milhões, com o lucro líquido de R$ 330 milhões registrado pela companhia no terceiro trimestre. O resultado entre julho e setembro não foi maior porque sofreu o impacto negativo de R$ 541 milhões, decorrentes das mudanças contábeis anunciadas pela estatal no dia 15 de outubro. "Sem os ajustes, o lucro chegaria a R$ 871 milhões", afirmou o diretor-financeiro da empresa, Ronnie Vaz Moreira. Das mudanças, a de maior impacto foi a inclusão de uma dívida da Petrobras, de R$ 5,5 bilhões, com a Petros, fundo de pensão dos seus funcionários. O resultado do terceiro trimestre foi beneficiado pelo aumento do preço da gasolina, aliado ao aumento da produção e à diminuição da importação de petróleo bruto, explicou Moreira. A receita líquida da estatal chegou a R$ 17,3 bilhões, de janeiro a setembro - um crescimento de 44% sobre o mesmo período no ano passado.
O aumento da produção, ao longo do ano, foi de 14%. Apenas no terceiro trimestre houve o crescimento de 89% da receita líquida, alcançando R$ 7,5 bilhões no período. A companhia avisou que não há como comparar o crescimento do lucro do último trimestre sobre o do mesmo período em 1998, que foi de R$ 114 milhões, por causa das mudanças contábeis.
Lucro seguido - O lucro da Petrobras no trimestre foi o segundo consecutivo. A companhia foi prejudicada no primeiro trimestre pela desvalorização do real, que representou um aumento de R$ 3 bilhões nas suas dívidas corrigidas pelo dólar. Moreira não antecipou o resultado de todo o ano. "É só olhar o resultado dos dois últimos trimestres para chegar a uma conclusão", comentou, sobre a possibilidade de o prejuízo ser revertido ao fim do ano.
No terceiro trimestre, a dívida do governo com a Petrobras, por causa de subsídios dados pela companhia no passado para segurar o preço dos combustíveis, a chamada "conta petróleo", também diminuiu. O débito estava em R$ 1,982 bilhão em 30 de setembro, com o pagamento de R$ 734 milhões à estatal pela Parcela de Preço Específica (PPE) - taxa cobrada no preço dos combustíveis e usada para abater a dívida.
Emissão - Moreira anunciou também que a Petrobras deve lançar bônus para captar recursos no mercado internacional no ano que vem, operação que não é realizada desde 1996. O valor da operação seria acima de US$ 500 milhões. O diretor-financeiro explicou que a medida faz parte do esforço de mudar o perfil da dívida da companhia.
A dívida líquida da Petrobras é de R$ 14,686 bilhões, metade da qual é de curto prazo e mais de 70% corrigida em dólar. Mas o fato de a receita da empresa também ser corrigida em dólar, aliado ao aumento do fluxo de caixa, tornam o nível do débito "confortável", de acordo com Moreira. Outra melhoria nesta questão, apontada pelo executivo, foi a diminuição das taxas cobradas da empresa para captação no mercado, que eram entre 4% e 4,5% acima da Libor, e hoje estão 1,5% acima da taxa de juros básica londrina.


