Brasília, 17 (AE) - O público consumidor de móveis do principal mercado importador do mundo, os Estados Unidos, tem preferência por linhas clássicas, principalmente o consumidor de alto e médio poder aquisitivo, paga à vista, não tem o hábito de esperar muito tempo pela entrega e é formado principalmente por mulheres, responsáveis por 80% das decisões de compra. Esses são os principais resultados do estudo sobre o "Mercado Norte-Americano de Móveis", lançado hoje pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que contou com a presenção do ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, e com representantes do setor de exportações.
O livro revela o potencial de vendas do mercado norte-americano de móveis, avaliado em US$ 90 bilhões em 1999. Um nicho que a Abimóvel pretende explorar por meio do Programa Brasileiro de Incremento às Exportações de Móveis (Promóvel). O programa, lançado no ano passado, pretende ampliar as exportações brasileiras do setor para os Estados Unidos, atualmente de US$ 40 milhões, o que representa somente 19% do total das vendas externas da indústria moveleira. A previsão é de que as exportações de móveis atinjam US$ 400 milhões neste ano.
Considerando a fabricação própria, o valor do mercado e as importações de móveis anuais, o estudo conclui que a produção norte-americana representa 50% do mercado consumidor dos Estados Unidos. De acordo com o levantamento, a exploração desse mercado deve ser feita também baseada na tendência da indústria norte-americana em adquirir de outros centros todo e qualquer tipo de produção que exija mão-de-obra intensiva, em vez de produzir localmente.
"O Brasil tem matéria-prima, área de reflorestamento e mão-de-obra em abundância", disse o presidente da Abimóvel, Nestor Bergamo, justificando a estratégia que a entidade pretende desenvolver para aumentar as exportações do setor para US$ 2,5 bilhões nos próximos três anos. O estudo também concluiu que o Brasil é o único país capaz de fazer frente à concorrência chinesa, do Canadá e do México, embora estes dois últimos sejam mais difíceis em função da proximidade geográfica.
Catálogo de exportações - O livro "O Mercado Norte-Americano de Móveis" foi divulgado na solenidade de lançamento da primeira edição do "Catálogo de Exportadores Brasileiros", coordenado pela CNI. Segundo o presidente da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, o objetivo da publicação é contribuir para a divulgação da capacidade exportadora brasileira e ampliar a isenção das empresas nacionais no mercado mundial.
O catálogo lista um total de 4.683 empresas exportadoras
que equivalem a um terço do total de companhias que vendem para o exterior. As empresas cadastradas correspondem a 91% das exportações brasileiras. Na avaliação da gerente especial da Agência de Promoção das Exportações (Apex), Dorothea Werneck, presente ao lançamento, as exportações estão concentradas em um número muito reduzido de empresas. "Apenas 13.800 empresas brasileiras exportaram, em 1998, menos que no México, onde existem 35 mil empresas exportadoras", comparou.
Segundo o diretor do Departamento Comercial do Itamaraty
Roberto Jaguaribe, apenas 100 exportadores nacionais são responsáveis por 50% das exportações. O material lançado pela CNI contém informações sobre a economia brasileira, perfil das relações comerciais externas do País e endereços úteis para empresas estrangeiras interessadas em realizar negócios com Brasil.

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