Brasília, 17 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, disse hoje que o parecer técnico sobre a criação da AmBev é uma peça de instrução do processo de fusão das cervejarias Antarctica e Brahma e não poderá ser "ignorado" pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "O parecer é uma peça básica do processo; não é simples opinião e terá que ser levado em consideração pela SDE e pelo Cade", afirmou.
O secretário rebateu as críticas feitas pela AmBev à qualidade técnica do parecer. "Temos certeza da qualidade dele; nunca foi feito nada no Brasil como nós fizemos no caso da AmBev", afirmou. Considera revelou que, caso a fusão das cervejarias (Antarctica e Brahma) tivesse ocorrido apenas no segmento de cervejas, e não incluísse as linhas de refrigerantes
águas e sucos, a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) teria recomendado o cancelamento do ato. "Não seria possível, do ponto de vista da concorrência, ter uma empresa com a magnitude de ter as três principais marcas do mercado (Brahma, Antárctica e Skol)", avaliou.
A Seae divulgou hoje nota técnica, respondendo às críticas contra seu parecer no caso AmBev. De acordo com a nota, são improcedentes as afirmações de que o documento, divulgado na semana passada, atenderia a interesses políticos de qualquer natureza. A Seae afirma que não se preocupou, no parecer, em saber se há vencedores ou vencidos entre as empresas da indústria de bebidas. "É uma propriedade do guia para análise econômica de atos de concentração definir que os únicos beneficiados por suas conclusões sejam o consumidor brasileiro e a economia nacional".
A nota da SEAE afirma, ainda, que não há qualquer erro na especificação dos mercados geográficos apresentados no parecer. A nota diz que a inclusão da proposta de venda de plantas "supostamente desativadas" não expressa qualquer equívoco da secretaria. Segundo a nota, as plantas da Skol em Londrina (Paraná) e Nova Lima (Minas Gerais) foram incluídas no parecer porque estão listadas entre os principais ativos da Brahma no relatório de informações anuais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na data de 31 de dezembro do ano passado.
A SEAE argumenta ainda que é improcedente o argumento de que a recomendação de venda da Skol "retira mais da AmBev do que o ato acrescenta à Brahma". Ela argumenta que foram agregados à Brahma toda a linha de refrigerantes, águas e sucos da Antarctica e a própria cerveja Antarctica. Além disso, o ativo guaraná Antarctica também foi incorporado à Brahma - o que
no entender da Seae, permitirá que a Ambev atinja seu objetivo principal, que é ser uma empresa de bebidas de porte internacional. "O ativo guaraná Antarctica, que como as próprias requerentes alegaram à exaustão, seria o carro-chefe da empresa para entrar no mercado externo.

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