PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 17 (AE) - O desemprego cedeu na Grande São Paulo e deve continuar encolhendo até o fim do ano. Depois de meses com desempenho negativo, o mercado criou na região da Grande São Paulo 71 mil postos de trabalho em outubro. O contingente de desempregados caiu de 1,76 milhão para 1,70 milhão, em comparação com setembro. O índice de desocupação recuou de 19,7% para 19,0% da população economicamente ativa, estimada em 8, 9 milhões de pessoas no mês. Até mesmo o rendimento dos ocupados teve uma ligeira reação, de 1,2%. Em relação ao tempo de procura por um novo emprego, no mês passado foi de 47 semanas, uma a menos do que em setembro.
"São várias as indicações de que começou uma recuperação mais firme da ocupação", afirmou o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco. "A partir desses dados, é de se esperar que a recuperação persista nos meses de novembro e dezembro." Mesmo com essa melhora, o ano de 1999 vai terminar em pior condição do que 1998 em matéria de emprego. A taxa média de desemprego no ano passado foi de 18 3%. Este ano, a taxa média já é de 19,5% em 10 meses e, mesmo se cair, não será para menos do que 19% nos 12 meses, disse o economista..
O setor de serviços foi o que produziu melhores resultados em outubro criando 109 mil ocupações. A indústria abriu 7 mil vagas, sobretudo com carteira assinada, ou seja, postos de qualidade. O comércio, que acumula resultados negativos esse ano, mais uma vez decepcionou, ao fechar 3 mil empregos, quando deveria estar contratando.
Os técnicos da Fundação Seade e do Dieese notaram que desta vez a queda do desemprego foi mais "consistente", definiu Martoni Branco. É que a desocupação caiu na chamada mão-de-obra primária - àquela que não pode deixar o mercado de trabalho porque tem responsabilidades. Por exemplo, entre homens (queda de 5,6%), entre homens e mulheres que são chefes de domicílio (-4,1%), entre pessoas na faixa etária de 25 a 39 anos (-7,4%) e entre maiores de 40 anos (-3,1%). Isso não quer dizer que os empregos criados em outubro necessariamente irão sobreviver no ano 2000. De qualquer maneira, o perfil dos que conseguiram sair do desemprego - pessoas mais velhas e de maior peso familiar e social - costuma sugerir a existência e ocupações mais estruturadas. Ou seja, é outro bom sinal que o mercado envia e que aponta para o término do período de recessão neste último trimestre deste ano.


