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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Gecy Belmonte e Cláudia Dianni 
Brasília, 17 (AE) - As exportações brasileiras deverão atingir US$ 58 bilhões no próximo ano, o que representa um aumento de 14,6% sobre o ano passado, enquanto as importações deverão sofrer queda de 8,8%, alcançando US$ 52 bilhões, segundo estimativa feita pelo vice-presidente da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e presidente da Silex Trading, Roberto Giannetti da Fonseca. Esse resultado permitirá que a balança comercial brasileira obtenha um superávit de US$ 8 bilhões no ano que vem, o primeiro saldo positivo depois de 1994.
O presidente da Silex Trading explicou que o primeiro superávit da balança comercial depois de seis anos foi estimado tendo em consideração três pontos básicos: crescimento de 4% para a economia brasileira no ano que vem, recuperação de países da América Latina e aumento das commodities, cujos preços iniciaram uma trajetória de alta há cerca de dois meses, depois de sucessivas quedas no mercado internacional. Entre os produtos dessa área que terão bom desempenho ele citou café, açúcar, soja e aço. "O México e os países do Pacto Andino terão um crescimento significativo", observou.
Giannetti da Fonseca disse que cálculos simulados demonstram que seria possível acrescentar mais US$ 6 bilhões à balança comercial caso os preços das commodities e o crescimento da América Latina retornassem aos patamares de três anos atrás. Em 1997, conforme ele, os preços das commodities estavam 25% acima dos atuais e a América Latina tinha registrado um crescimento 30% superior ao verificado hoje. Sobre o Mercosul, o vice-presidente da Funcex afirmou que trata-se de uma incógnita porque ninguém sabe qual será a política do novo presidente da Argentina, Fernando De la Rúa.
A expectativa, segundo o presidente da Silex Trading, é de que as exportações brasileiras fiquem menos dependentes da Argentina do que são hoje, e passem a ser mais canalizadas para os países da comunidade andina (Colômbia, Venezuela, Equador e Peru), com os quais o Brasil fechou um acordo de preferências tarifárias na metade deste ano. Também lembrou que os países asiáticos já começaram a se recuperar, devendo incrementar sua demanda por mercadorias brasileiras.
Com relação à balança comercial para este ano, Giannetti da Fonseca disse que o saldo negativo deverá ficar mesmo na faixa de US$ 1 bilhão, conforme a meta revista no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no início deste semestre. Na avaliação dele, contudo, este resultado pode ser considerado uma vitória. "Dos males o menor", observou, lembrando que se não tivesse ocorrido a desvalorização do real em fevereiro, este déficit seria de U$$ 11 bilhões em vez do US$ 1 bilhão previsto, conforme cálculos.


