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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Márcia Furlan 
São Paulo, 17 (AE) - O presidente da Serasa (Centralização dos Serviços dos Bancos), Élcio Anibal de Lucca, disse hoje que a falta de uma "cultura de crédito" no Brasil mantém o nível de empréstimos concedidos às empresas e pessoas físicas em 30% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto em países desenvolvidos, como os EUA e a Inglaterra, os empréstimos chegam a 100%. Segundo De Lucca, historicamente a inflação alta tem estimulado o setor financeiro a relegar o crédito a um segundo plano, embora tecnologicamente o Brasil já esteja preparado para adotar as modernas metodologias de análises aplicadas pelos países que concedem grandes volumes de crédito.
O presidente da Serasa fez estas obaservações durante a abertura do 2º Fórum Internacional de Crédito, promovido pela entidade. O evento, que seria realizado na Fundação Getúlio Vargas, foi transferido para a Fiesp em função da denúncia de que havia uma bomba no local. O Fórum terá sequência amanhã, reunindo especialistas estrangeiros e acadêmicos brasileiros a fim de discutir os sistemas de análise de riscos já existentes. "A idéia foi aproximar a prática da teoria", explicou de Lucca.
Segundo ele, o Banco Central, coincidentemente, prorrogou o prazo das audiências públicas para regulamentação das provisões para fins de concessão de crédito. As novas normas prevêem que os tomadores de crédito deverão ser classificados pelas instituições financeiras em seis níveis AA, A, B, C, D e E
de acordo com seu risco. Quanto maior o risco, maior deve ser o provisionamento. O AA é livre de risco e o E exige um provisionamento de 100% do valor emprestado. Estes procedimentos
de acordo com o superintendente de Produtos de Pessoas Jurídicas da Serasa, Laércio de Oliveira Pinto, têm sido incentivados pelo Acordo da Basiléia.
De Lucca avalia que este é o primeiro passo para ampliar a concessão de crédito no Brasil, caminho que também levaria à queda das taxas de juros, à medida que provocaria redução nos custos de concessão de crédito e os riscos. "Quanto maior o número de créditos concedidos, menor é o risco e menor serão os juros". Se as mudanças forem implementadas, o "bom pagador" terá melhores condições na tomada de empréstimos, enquanto o "mau pagador" passará por critérios mais rigorosos.


