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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Fausto Macedo 
Campinas, 16 (AE) - Depois de seis horas de depoimento, a CPI do Narcotráfico anunciou o indiciamento do advogado Arthur Eugênio Mathias por formação de quadrilha, corrupção e receptação de mercadorias roubadas.
A decisão foi anunciada pelo deputado-relator Moroni Torgan (PFL-CE), convencido do envolvimento do advogado com o empresário Willian Sozza, apontado como o cérebro do crime organizado em Campinas. Os parlamentares também poderão enquadrar o advogado em mais um artigo, referente à associação para tráfico internacional de drogas.
Mathias negou, inicialmente, que fosse advogado de traficantes. Ao ser pressionado pelos deputados, que estavam munidos de cópias de processos judiciais, o advogado acabou admitindo que defende pelo menos 20 traficantes.
Ao ser acareado com o assaltante de carretas, Jorge Meres - autor das mais fortes denúncias sobre a organização criminosa com ramificações em 14 estados - o advogado ficou em uma situação constrangedora.
O assaltante acusou o advogado de ter pago R$ 50.000 para policiais da 37ª Delegacia de Polícia de São Paulo para que soltassem o próprio Meres e um outro ladrão, identificado como Magrão.
Meres e Magrão haviam sido detidos com uma carga de pacotes de cigarro roubado.
Ainda hoje, agentes da Polícia Federal apreenderam um lote de medicamentos, abandonado em um canavial nos arredores de Campinas. A PF chegou ao local por indicação de Jorge Meres. Segundo o assaltante, o canavial servia de ponto de desova de mercadorias que o grupo não conseguia revender.
A CPI suspeita que os remédios seriam do empresário Alexandre Negrão, que ontem teve quebrado o seu sigilo fiscal, bancário e telefônico.


