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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 16 (AE) - Depois de quatro meses e meio de investigação, os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade entregarão quinta-feira (18) à tarde ao juiz da 2ª Vara Especial Criminal de Maceió, Alberto Jorge Correia de Lima, o relatório final sobre as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996.
Lessa confirmou hoje que vai indiciar os quatro ex-seguranças de PC como co-autores do crime, mas não quis adiantar se indicia ou não o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL).
Para os delegados, PC e Suzana foram assassinados a tiros e não vítimas de crime passional (homicídio seguido de suicídio), como concluíram o delegado da polícia civil alagoana Cicero Torres e o médico legista Fortunato Banda Palhares, na primeira fase da investigação sobre o caso.
Lessa não quis comentar a acusação feita hoje, em Campinas, pelo relator para a CPI do Narcotráfico, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), contra Palhares. O parlamentar disse que "Badan vende laudos", e reafirmou sua suspeita de que o lado feito pelo legista sobre as mortes do empresário PC e Suzana teriam sido encomendadas pelo crime organizado.
"Não quero me meter nessa história, porque não tenho conhecimento de causa, mas o que posso dizer é que a tese defendida por Palhares para as mortes de PC e Suzana foi derrubada pelo médico legista Daniel Munhoz, durante debate entre ambos em Maceió, afirmou Lessa, acrescentando que o relatório contempla a tese de Munhoz: duplo homicídio.
O relatório tem cerca de 35 laudas e vai registrar a tentativa de suborno que Lessa e Andrade teriam sofrido de um funcionário do Tribuna de Alagoas, a mando de Augusto Farias. O deputado negou a tentativa de suborno e fez várias acusações contra os dois delegados, mas nenhuma delas foi suficiente para afastá-los do caso.
O relatório deve conter também as suspeitas levantadas pela irmã de Elma Farias, Élia Pereira, contra Augusto. Ela acusou o deputado de ter sido mentor das mortes do irmão (PC) e da cunhada (Elma Farias, encontrada morta em sua residência, em Brasília, em 1994). Élia foi ouvida pelos delegados, em São Paulo, mas o teor de seu depoimento não foi revelado à imprensa.
A assessoria do deputado Augusto Farias disse que ele se manifestará só depois que o relatório dos delegados for entregue à Justiça. O deputado segundo seu advogado, José Fragoso Cavalcante, vai continuar custeando a defesa dos policiais militares Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos, "porque acredita na inocência deles".
Os quatro PMs trabalhavam como segurança de PC no dia do crime e serão indiciados pelos delegados como co-autores do duplo homicídio. A expectativa é quanto à alegação dos motivos do crime e até que ponto o deputado Augusto Farias teve influência na morte do irmão. Os delegados fazem mistério sobre esses pontos. "Só quando o relatório for entregue à Justiça", concluíram.


