Campinas, SP, 16 (AE) - O advogado Arthur Eugênio Mathias confirmou hoje à CPI do Narcotráfico que trabalhou na defesa do empresário Willian Sozza em "quatro ou cinco questões de natureza civil e de ordem trabalhista". Sozza é apontado pela CPI como um dos cérebros do crime organizado em Campinas. Ele está foragido desde 14 de outubro quando a Justiça Federal decretou sua prisão. O advogado Mathias foi o primeiro de uma lista de 19 nomes a depor perante a CPI que hoje se instalou na cidade. Os depoimentos estão sendo tomados no salão do Tribunal do Júri no Fórum Criminal.
Pelo menos duas mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, se espremeram à porta do Palácio da Justiça, no centro da cidade, aguardando a chegada dos 13 deputados federais. Antes de dar início aos trabalhos no fórum, os parlamentares se reuniram secretamente em um apartamento no 4º andar do hotel onde estão hospedados e decidiram sobre a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de 38 empresas e pessoas físicas. Mathias prestou depoimento na condição de testemunha mas alegou que não poderia fazer certas revelações em nome da ética profissional. Quando começou a depor, o advogado foi advertido pelo deputado Éber Silva (PDT-RJ): "Fale tudo, senhor Arthur, aqui o senhor é testemunha sob juramento, não pode omitir informações".
Mathias irritou os parlamentares à medida em que respondia ás indagações com evasivas. A CPI suspeita que o advogado pode ter conhecimento de informações importantes sobre Sozza. "A última vez que falei com Sozza foi no dia 15", afirmou o advogado. Ele disse também que "nunca viu" o caminhoneiro e assaltante Jorge Neres, autor das principais denúncias sobre o crime organizado no País. "Não tenho nenhum cliente nessa área do narcotráfico", garantiu Mathias.
O advogado disse que esteve na casa de Sozza "em festinhas de aniversário". Ele confirmou também ter trabalhado com o empresário Beto Zini, ex-presidente do Guarani e também sob suspeita da CPI. Zini teria ligações com Sozza. O advogado disse que também atua na área eleitoral e que foi filiado ao PDT e, depois, ao PTdoB que fez coligação com o PRTB -este último partido foi fundado em Campinas pelo empresário Willian Sozza. O ex-presidente Fernando Collor filiou-se a PRTB.
Indagado sobre esses detalhes, o advogado Mathias definiu como "uma série de coincidências". O deputado Pompeo de Mattos disse que o PRTB é o "PRN (antigo partido de Collor) do esquema PC". O advogado negou que tivesse participado de uma reunião na 27ª Delegacia de Polícia em São Paulo, no ano passado, quando teria sido apreendido um carregamento de cigarros roubados por Jorge Neres. "Isso não procede, é mentira, nunca estive em um distrito policial da capital", rebateu Mathias.
Sobre suas relações com Beto Zini, o advogado disse que atuou como assessor jurídico do Guarani -na época em que Zini presidia o clube. "Nossa relação é mais amistosa que profissional".
A CPI revelou hoje que um ex-policial militar que trabalhou em Campinas está disposto a depor sobre o esquema de Sozza, envolvendo operações nos dois aeroportos da cidade, Viracopos e Campos dos Amarais. O ex-policial encontra-se preso em outro estado.

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