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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Soraya de Alencar e Sílvia Faria 
Brasília, 16 (AE) - O Banco Central (BC) vai criar um departamento específico para investigar as operações de lavagem de dinheiro. Embora seja antiga, a idéia ganhou força nos últimos dias, a partir do empenho do governo em auxiliar os trabalhos da CPI do Narcotráfico. O presidente do BC, Armínio Fraga, declarou hoje que a criação do departamento é prioridade. "Vamos dedicar nossos melhores esporços e talentos para colaborar com os trabalhos."
A partir de uma remodelação interna, o BC vai juntar todos os seus fiscais especializados em investigar operações com indícios de lavagem no novo departamento. Ele será diretamente comandado pelo diretor de Fiscalização, Luiz Carlos Alvarez. Fraga ressaltou que o BC está totalmente comprometido com a sua reestruturação - proposta que, inclusive, já foi rejeitada pela Câmara - para colaborar com o esforço de combate à lavagem de dinheiro no País.
Nas últimas semanas, o Banco Central tem sido alvo das críticas dos integrantes da CPI e da presidente do Conselho de Controle de Atividades Fiananceiras (Coafi), Adriane Sena, pela demora na prestação de informações. No caso específico da CPI, os deputados pediram intervenção do presidente Fernando Henrique Cardoso para que o BC tenha mais agilidade no repasse de informações sobre contas bancárias de pessoas investigadas pela comissão. No BC, assessores de Fraga argumentam que a demora é dos bancos.
Decidido a ter mais empenho, o BC quer fazer um monitoramento mais rígido do mercado de câmbio. Caberá ao novo departamento investigar os ilícitos e irregularidades cambiais. Uma vez constatados esses problemas, o BC fará um comunicado ao Ministério Público e à Receita Federal.
Até hoje, mesmo sem o departamento já estar funcionando, pois sequer ele tem nome, já foram enviados 700 comunicados referentes a operações suspeitas realizadas por meio das CC5, a conta de não-residente no país, e também através de cartões de crédito.
Fontes da instituição asseguram que as transferências de jogadores de futebol para o exterior são, na maioria das vezes, operações suspeitas de lavagem de dinheiro e estão sendo investigadas. O BC, no entanto, não divulga informações sobre estas operações. De acordo com as fontes, as desconfianças em relação às transferências de jogadores, principalmente àquelas em que o atleta vai e volta do exterior com frequência no curto prazo, são antigas e existem desde a primeira venda de jogadores para clubes de outros países.


