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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por César Felício e Tânia Monteiro 
Brasília, 16 (AE) - Os ministros do Turismo e Esporte, Rafael Grecca (PFL), e dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), deverão continuar em seus cargos depois dos depoimentos que prestarão esta semana ao Congresso. Padilha vai amanhã (17) à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para falar sobre o envolvimento de funcionários do DNER em um esquema de irregularidades no pagamento de precatórios judiciais. Grecca comparece na quinta-feira (18) no plenário do Senado para depor sobre uma série de denúncias envolvendo concessões para o funcionamento de bingos.
Os próprios interessados na demissão de Grecca já admitem que o ministro não será afetado pelo depoimento no Senado. "A presença dele no Senado será uma encenação", afirmou o senador álvaro Dias (PSDB-PR), autor de um requerimento para a criação de uma CPI que foi frustrado com a decisão do presidente do PMDB
senador Jader Barbalho (PA), de pedir aos membros da bancada para retirarem as assinaturas.
Para álvaro Dias, partiu do Palácio do Planalto a articulação para frustrar a CPI. "É lamentável que o presidente Fernando Henrique Cardoso exerça seu poder para retirar assinaturas de uma CPI que daria seguimento a inquérito já instaurado pelo Ministério Público que investiga a ligação de funcionários do governo com a máfia italiana", disse o senador. Com a ausência de Fernando Henrique, em viagem oficial à Cuba e à Itália, a articulação para favorecer os ministros está sendo feito pelo presidente em exercício, vice-presidente Marco Maciel (PFL), e pelo assessor presidencial Wellington Moreira Franco (PMDB).
Também adversário do ministro, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) não acredita que poderá acontecer com Grecca o mesmo que ocorreu com o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, que se ofereceu para depor no Senado, foi duramente questionado pelos parlamentares e acabou pedindo demissão 48 horas depois.
"O Mendonça só caiu porque coincidiu de o seu sigilo telefônico ter sido quebrado pela imprensa justamente no dia em que depôs no Senado", afirmou Requião, para quem "só a quebra do sigilo telefônico, bancário e fiscal do ministro poderia comprometê-lo e isto só seria possível com a CPI que foi frustrada".
Jader Barbalho admite a articulação para frustrar as CPIs, mas avisa que a situação de Grecca não é tranquila. "Eu pedi que os senadores retirassem as assinaturas para que Grecca fosse ouvido antes, mas, dependendo da qualidade do depoimento, as assinaturas podem voltar e a CPI ser instalada", afirmou. O líder do PMDB considera mais tranquila a situação do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. "No caso do Padilha, ele se prontificou no primeiro dia a depor na Câmara e não há nenhum fato que justifique CPI", disse.
Discrição - Protagonista de diversos atritos com Padilha, o PSDB promete ter um comportamento discreto na sessão desta quarta-feira. "A nossa visão é que o governo é um só, formado por vários partidos, e que não se deve trabalhar partidariamente quando há denúncias contra ministros", disse o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE). Há duas semanas, o governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), ameaçou deixar o partido e disse que Padilha transformou o ministério em uma "seccional do PMDB".


