São Paulo, 16 (AE) - A Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) enviou detalhado relatório aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico que hoje começaram a trabalhar em Campinas (SP). O juiz Wálter Fanganiello Maierovitch, titular da Senad, sugeriu aos parlamentares profundas investigações sobre as atividades de Giuseppe Bizarro, Fahad Jamil Georges e Ivo Noal. Eles moram no Brasil e têm seus nomes envolvidos com suspeitas de participação em organizações criminosas.
O ex-empresário italiano Giuseppe Bizzarro garantiu hoje que sua situação jurídica no Brasil está resolvida: segundo ele, o Ministério da Justiça já atendeu à solicitação de tirar seu nome do computador da Polícia Federal (PF), o que causava transtornos cada vez que voltava do exterior. Ele negou que tenha pedido cidadania brasileira. "Tenho visto de residência permanente e meus filhos, nascidos no Brasil, têm cidadania italiana", disse.
Há quatro meses, ele pediu a regularização da sua situação. Seu nome era apontado pelo computador porque Bizzarro foi preso no Brasil, em 1982, acusado de envolvimento com o mafioso Tommaso Buscetta, que vivia no Rio. "Fui absolvido porque o Buscetta, que entregou 500 pessoas à Justiça italiana, disse que nem me conhecia", contou, irritado. Bizzarro disse que conheceu o mafioso no Brasil, mas não sabia de suas atividades. "Eu estava no lugar errado no momento errado."
Segundo ele, em 20 de setembro seu nome saiu do computador e, há 15 dias, recebeu uma certidão negativa da PF. "Não posso ser eternamente acusado por algo que aconteceu há anos e da qual fui absolvido."
Ele não mostrou preocupação com o fato de estar sendo investigado pela PF e pela Senad. "Sou investigado há 20 anos e nunca acharam nada", desafiou. Bizzarro disse que tem se dedicado a viajar pelo mundo. "Estou procurando coisas novas para trazer para o Brasil", disse.
A Interpol está investigando o envolvimento de Bizarro com o narcotráfico e esquemas internacionais de lavagem de dinheiro. Segundo fontes da PF, ele está sob vigilância e seu nome foi levado pelo chefe da Interpol no Brasil, Washington Melo, para uma reunião em Seul, na Coréia do Sul.
Maierovitch afirma que o processo de naturalização de Bizarro já tem parecer contrário da Senad, mas o Ministério da Justiça nega que esse pedido tenha sido apresentado.
O empresário Fahad Jamil Georges mora em Ponta Porã (MS) e seria, segundo o que apurou a Senad, um dos líderes do tráfico de maconha na rota do Paraguai, principalmente na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã.
Ele é considerado um dos homens mais ricos do Brasil. Maierovitch afirma que há um mandado de prisão contra Georges, expedido pela Justiça paraguaia, por suspeita de envolvimento no assassinato do secretário Antidrogas daquele país, em 1995.
Procurado pela Agência Estado, Georges negou todas as acusações. Irmão do ex-deputado federal Gandi Jamil, ele diz que há vários anos vem sofrendo perseguição política. "Minha vida é limpa", disse. Ele não citou nenhum nome de político ou partido que estaria comandando a perseguição.
Outro nome que merece investigação mais profunda, segundo o relatório da Senad, é o de Ivo Noal. Seu nome foi citado, em setembro, no depoimento de Lillo Lauricella, preso desde janeiro na Itália. Lauricella afirmou que pagava aproximadamente US$ 60 mil por mês a Noal para obter proteção na exploração de máquinas de videobingo e videopôquer. O advogado de Noal, Newton Azevedo, contestou a acusação e explicou que seu cliente já prestou depoimento à polícia. "Ele disse ter recebido uma proposta de Lauricella para a exploração das máquinas de jogos eletrônicos, mas a rejeitou", disse Azevedo.
O secretário Maierovitch disse que, segundo as autoridades italianas, Noal teria participação nas atividades da organização criminosa Banda della Magliana (Turma da Magliana, um bairro da capital italiana).
O esquema de lavagem de dinheiro com máquinas de videobingo no Brasil foi descoberto pela Divisão de Investigação Antimáfia, em Roma. As autoridades daquele país acreditam que a droga (cocaína e heroína) produzida na Colômbia passa pelo Brasil e é enviada à Europa por meio de portos brasileiros. Em Roma, a droga é distribuída pela Banda della Magliana, comandada por Fausto Pellegrineti.

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