Campinas, SP, 16 (AE) - A CPI do Narcotráfico disse hoje que a Justiça mandou libertar três oficiais da Aeronáutica que estariam envolvidos com o comércio internacional de cocaína. "Isso é um absurdo", protestou Reginaldo Germano (PFL-BA). A decisão judicial que colocou na rua os militares suspeitos foi tomada porque terminou o prazo legal para conclusão do Inquérito Policial Militar. "É evidente que houve negligência na condução da apuração", denuncia Éber Silva (PDT-RJ).
Para os parlamentares, "o espírito de corpo prevaleceu na Aeronáutica. Hoje à tarde a CPI decidiu encaminhar ofício ao Ministério da Aeronáutica condenando a morosidade da presidência do IPM. O relator Moroni Torgan (PFL-CE) informou que será exigida explicação sobre as razões de "terem colocado esses oficiais em liberdade". O deputado Robson Tuma (PFL-SP) foi mais duro: "Queremos saber por que a Aeronáutica deixou a Justiça soltar esses bandidos."
A CPI considera que o episódio não pode esvaziar as investigações. Foi aprovado requerimento solicitando a relação de militares que deverá ser convocados para depor, inclusive o comandante da Base Aérea do Galeão e o Corpo de Guarda que estava de serviço em 19 de abril quando um avião Hércules C-130 decolou com destino a Las Palmas, na Espanha, levando a bordo uma carga de carne seca, aguardente, pó de café e 30 quilos de cocaína -a droga seria vendida possivelmente na Itália por US$ 70 mil. A aeronave foi interceptada no aeroporo de Recife onde havia pousado para escala.
Atraídos por denúncias anônimas, agentes da Polícia Federal vasculharam o Hércules e encontraram a cocaína. O tenente-coronel Paulo Cesar de Oliveira foi preso em flagrante. Um major e um coronel foram detidos depois, também suspeitos de envolvimento com o tráfico. Oliveira, na época, comandava a unidade que cuida do espaço aéreo da Amazônia.
Para a CPI, outros militares da Base do Galeão podem estar implicados no esquema. O deputado Éber Silva disse que o Ministério da Aeronáutica "está convencido de que outros oficiais e praças estão metidos com esse negócio sujo". O parlamentar observou que "o mais triste é saber que militares da ativa estão envolvidos".
A CPI apurou que o avião da F.A.B decola pelo menos uma vez por mês para a Espanha em missão de apoio aos adidos militares instalados na Europa. O avião transporta mantimentos e outras necessidades para os militares, que trabalham nas embaixadas brasileiras. "É impossível que não exista um esquema maior por trás disso", avalia Reginaldo Germano.
Há 10 dias, o tenente-coronel Oliveira foi solto. Na segunda-feira, o major e o coronel receberam o mesmo benefício. Para o deputado Éber Silva, o tenente-coronel Oliveira saiu da Amazônia e foi para o Rio, naquele dia 19 de abril, exclusivamente com o objetivo de embarcar a droga em meio aos pacotes de café, carne e litros de bebidas. Segundo o parlamentar, o oficial deixou o quartel na Amazônia secretamente
sem comunicar os superiores. Oficialmente, Oliveira permaneceu no posto.
No Rio, o tenente-coronel e o major -identificado pelo nome de Graff- adquiriram café tipo exportação e outros pertences que foram levados para a aeronave. Um detetive da Polícia Civil, conhecido por Gina, entrou na Base Aérea com a droga acondicionada em duas malas. Atendendo determinação do tenente-coronel, os soldados que estavam de guarda permitiram a entrada de um civil na unidade.

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