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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 16 (AE) - O acordo para encerrar a crise que divide o PT do Rio e o coloca em choque com governo estadual incluiu a garantia dada pelo presidente de honra da legenda, Luiz Inácio Lula da Silva, ao governador Anthony Garotinho (PDT)
de que os petistas não se oporão liminarmente à sua pré-candidatura à Presidência. O aceno foi feito no jantar que reuniu Lula, Garotinho e o secretário do Planejamento, Jorge Bittar, no Palácio Laranjeiras, residência do governador, na semana passada. O pedetista, na ocasião, aceitou assinar um protocolo que nos próximos dias formalizará a permanência do PT na administração estadual.
Segundo confidenciou um dirigente da Articulação, na conversa, Lula garantiu a Garotinho que sua pré-candidatura será tratada, dentro da frente das esquerdas, do mesmo modo como a de outros postulantes, inclusive os filiados ao PT. O líder petista reconhece que, hoje, a esquerda não tem candidato a presidente para 2002. A mesma garantia de neutralidade já fora dada a Garotinho, no primeiro semestre, pelo presidente do PT, José Dirceu. Ele avisou ao governador que, se Lula não for candidato, o pedetista poderia tentar a candidatura em igualdade de condições com outros pré-candidatos.
"Acho que ficou claro para Garotinho que o PT não tem nada contra ele", disse o dirigente da Articulação. Ele contou que Lula avisou ao governador que a frente da esquerda escolherá o candidato e que seu nome poderá ser apreciado sem problemas.
DOCUMENTO - Já está pronto o texto preliminar da resolução em que o PT do Rio formalizará a sua permanência no governo estadual. A Articulação espera aprová-lo com sua maioria de um voto na próxima reunião do diretório regional, no dia 5 de dezembro. No documento, a tendência considera que foi cumprida a decisão do 18º Encontro Estadual do PT de entregar a Garotinho os cargos que ocupa na administração estadual. A iniciativa foi uma resposta às declarações do governador, que chamou a legenda de "partido da boquinha", por supostamente só querer cargos públicos.
O documento também afirmará que, com o encontro do presidente do PT do Rio, Carlos Santana, com Garotinho, há duas semanas, abriu-se um período de diálogo. Essa fase seria caracterizada pela formação de um conselho político de governo, uma nova relação com a bancada na Assembléia Legislativa e pelo reconhecimento, pelo governador, de seus supostos excessos. Diante disso, a permanência no governo (Garotinho não aceitou aos cargos, embora tenha exonerado os petistas ligados a Santana) será formalizada na resolução.
No último fim de semana, o texto foi mostrado a Santana, que não o aceita. Sua versão final, porém, deverá ser fechada amanhã (17). Como o diretório regional tem 48 integrantes e o documento a ser divulgado terá metade mais uma das assinaturas de seus integrantes, a Articulação considera que sua aprovação é certa.


