Campinas, SP, 16 (AE) - A CPI do Narcotráfico pediu hoje a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de 38 pessoas e empresas de Campinas, suspeitas de integrarem o crime organizado. Além disso, também foram quebrados os sigilos de 37 casas de câmbio e de turismo que seriam supostamente ligadas à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e que estão sendo investigadas pela própria CPI, Polícia Federal e Presidência da República. A maior parte das empresas é do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Juntas, movimentam mais de US$ 30 bilhões por ano no Brasil.
Entre as pessoas que tiveram seus sigilos quebrados estão cinco policiais que foram denunciados pelo ladrão de caminhões Gilmar Leite Siqueira, preso em São Paulo e autor das denúncias sobre o crime organizado em Campinas. Dois deles são policiais - Antônio Lázaro Constâncio e seu filho Jean - ,que são parentes de uma outra pessoa que trabalhava para o empresário Willian Sozza, acusado de chefiar o crime organizado na cidade e que teria participado de roubos de cargas junto com Siqueira. A CPI também vai investigar, novamente, todas as pessoas que tiveram processos ou condenações por roubo de caminhões em Campinas e São Paulo.
Segundo o deputado Robson Tuma (PFL-SP), que ajuda nas investigações em Campinas, com Pompeo de Mattos (PDT-RS), as empresas de câmbio que estão sob suspeita poderão até perder o credenciamento junto ao Banco Central. Entretanto, grande parte das 37 casas de câmbio já foi descredenciada, mas continua funcionando irregularmente. "A partir da quebra de sigilo vamos verificar o total de recursos até agora enviados ao exterior", afirma Tuma.
Paraná, com 11 casas de câmbio, é o Estado mais visado pela CPI, principalmente porque está na fronteira com o Paraguai, país por onde a lavagem de dinheiro é facilitada. São Paulo e Rio de Janeiro têm oito empresas cada sendo investigadas. A CPI quer saber se algumas delas têm ligação com o crime organizado em Campinas. As de São Paulo são as que mais movimentaram dinheiro nos últimos anos. Algumas foram descredenciadas pelo Banco Central por falsa informação, falsa identidade nos boletos de câmbio e evasão de divisas.
Depois do recebimento dos comprovantes de telefonemas, contas bancárias e declaração da Receita Federal, a CPI vai decidir se há necessidade de convocar os proprietários das casas de câmbio. Todos terão que comprovar a origem do dinheiro movimentado nos últimos anos e justificar por que ainda estão operando, já que estariam descredenciados pelo Banco Central. As investigações vão se estender ao Nordeste, principalmente Fortaleza, onde a PF já apura o envolvimento de várias empresas com a lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

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