Campinas, SP, 16 (AE) - O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico sobre o Maranhão, que será concluído até a próxima semana, vai revelar que nos últimos 10 anos cerca de 70% da droga que entrou no Brasil utilizou a fronteira do Acre. Segundo o sub-relator da CPI, Reginaldo Germano (PFL-BA), com esta informação está praticamente concluída a ligação entre o ex-deputado Hildebrando Pascoal e o deputado estadual do Maranhão José Gerardo (sem partido).
Conforme Germano, que está concluindo o relatório, a droga saía da fronteira do Acre com a Bolívia em carros e pequenos aviões e depois era transportada em carretas de carga para o Maranhão, Sudeste e Centro-Oeste. No Acre, a passagem da droga, principalmente cocaína, era facilitada, conforme o deputado, por Pascoal e o suposto grupo chefiado por ele, quase todo formado por policiais ou ex-policiais militares.
"Como o ex-deputado Hildebrando Pascoal dominou o Acre nos últimos 10 anos então a droga entrava com facilidade", afirma Germano. "Pela avaliação feita até agora, em torno de 70% da cocaína distribuída no Brasil neste período foi proveniente do Estado." O relatório, segundo o deputado, vai revelar que a maior parte dos carregamentos era transportado em carretas, que passava por Rondônia, chegava a Mato Grosso e depois tinha como destino final o Maranhão ou o Centro-Sul do País.
Segundo Reginaldo Germano, até a conclusão do relatório, a CPI já deverá ter ou não a confirmação da ligação entre os grupos do Maranhão, comandado por Gerardo, Alagoas, supostamente com o envolvimento da família do deputado Augusto Farias (PFL-MA), irmão de PC Farias e com o Hildebrando Pascoal, no Acre. Segundo o caminhoeiro Jorge Meres, que denunciou Gerardo na CPI, o deputado comanda o esquema de assaltos e tráfico de drogas na região e já teria tido uma reunião com Pascoal e a família Farias.
"Até agora, do que foi revelado por Meres, tudo é verdade"
observa Germano. Gerardo também foi acusado de ter matado o delegado Stênio Mendonça e comandar o crime organizado no Maranhão. Além disso, é suspeito de ser o mandante de 10 assassinatos e do roubo de 86 carretas na BR-316, rodovia que corta o Estado do Maranhão e vai até Belém (PA).
Além do depoimento de Meres, a CPI também tem outras declarações obtidas durante a sessão realizada no Acre em setembro. Uma delas é de uma testemunha conhecida como Ezequiel, ex-empregado de Pascoal. Ele confessou que aviões provenientes da Bolívia jogavam caixas com cocaína na fazenda do ex-deputado, próxima ao município de Plácido de Castro (AC). Em um só dia, teriam sido lançados 600 quilos da droga, segundo Ezequiel.
PARá - A CPI do Narcotráfico também iniciou esta semana investigação no sul do Pará, após receber denúncia da Associação de Garimpeiros de Serra Pelada, de que poderia haver tráfico de drogas por intermédio do minério exportado para outros países pela Companhia Vale do Rio Doce. "Deve ter algum fundamento", afirmou o deputado Eber Silva (PDT-RJ). "O documento dos garimpeiros pode não ser fiel, mas também não é apócrifo." Segundo Silva, os garimpeiros afirmaram que a droga era remetida dentro do minério.
Segundo Ebér Silva, as últimas apreensões de armas e drogas feitas pela Polícia Federal no sul do Pará mostram que o crime organizado também já está instalado nesta região, considerada há dez anos como a mais violenta do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo.

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