Havana, 16 (AE) - O diretor-geral do Departamento das Américas do Itamaraty, Antonino Mena Gonçalves, recebeu hoje à tarde o diretor da comissão cubana pró-direitos humanos e reconciliação nacional, Elizario Sanchez. Contrário à permanência de Fidel Castro no poder, mas defensor da manutenção do regime socialismo em Cuba, Sanchez reuniu-se também com outros chefes de Governo e de Estado que vieram a Havana para a 9ª Conferência Ibero-Americana, entre eles, o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar.
O dissidente cubano Sanchez já foi preso cinco vezes e em 1997 esteve na Europa para falar sobre direitos humanos. Na visita que fez à Cuba no ano passado, o chanceler brasileiro, Luiz Felipe Lampreia, recebeu Sanchez e deu declarações a favor do respeito aos direitos humanos. Esse fato chegou a estremecer as relações entre Brasil e Cuba e Lampreia - alegando estar muito gripado - nem mesmo compareceu à cúpula realizada aqui.
Três presidentes de países da América Central - Costa Rica, El Salvador e Nicarágua - também deixaram de comparecer à ibero-americana como forma de protesto contra o desrespeito aos direitos humanos em Cuba. O presidente de Costa Rica, Miguel ángel Echeverría, chegou a mandar uma carta a Fidel Castro, pedindo para manter encontro com o dissidente Sanchez, desde que não houvesse represálias, mas, como Fidel não respondeu à carta, negou-se a participar da cúpula.
O presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou-se apenas com o arcebispo cardeal de Havana, Jaime Ortega. Depois do encontro, o arcebispo disse a jornalistas que existem em Cuba mais de 300 presos políticos.O chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, negou hoje que haja presos políticos em seu país.
"Não há nenhum só preso em Cuba que tenha sido preso pelo ato de pensar", garantiu o chanceler. "Os que estão presos aqui cometeram atos contra as leis de Cuba", justificou. Roque também rebateu as declarações do arcebispo Ortega de que existem alguns direitos humanos - como a liberdade de expressão e o pluripartidarismo - que são descumpridos em Cuba. "Aqui estão garantidos todos os direitos humanos", disse o chanceler, argumentando que o fato de existir apenas um partido no país - o Partido Comunista de Cuba - pode ser explicado por não ser um partido eleitoral e porque em Cuba o regime político é específico.

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