Buenos Aires, 16 (AE-ANSA) - A viúva e um filho do narcotraficante colombiano Pablo Escobar Gaviria - líder do cartel de Medellín morto pela polícia em 1993 - foram presos nesta terça-feira (16) na Argentina, onde entraram com documentos falsos, viviam ilegalmente e devem enfrentar a acusação de integrar uma quadrilha para lavar dinheiro das drogas.
Vitoria Henao Vallejos, de 39 anos, e Juan Pablo Escobar, de 20, estão detidos numa unidade da polícia federal argentina, em Buenos Aires. Uma filha menor do traficante morto, Manuela, de 12 anos, foi entregue aos cuidados dos empregados que vinham trabalhando na casa onde vivia a família colombiana no bairro portenho de Nuñes.
Imediatamente após a prisão, o presidente argentino, Carlos Menem, apressou-se a declarar que a prisão dos parentes de Escobar "não significa que o narcotráfico se tenha estabelecido na Argentina".
De acordo com ele, os Escobares "aproveitaram-se do fato de a Argentina ser uma país aberto". Menem acrescentou ainda que o episódio ilustra o quanto o país está pronto para agir rapidamente quando se apresenta esse tipo de situação.
A mulher de Escobar portava uma identidade em nome de María Isabel Santos Caballero e o filho dela usava o nome de Juan Sebastián Marroquín Santos.
Da Colômbia, um irmão de Pablo Escobar, Roberto Escobar, assegurou a rádios argentinas que o governo colombiano autorizou a mudança dos nomes após a morte de Pablo Escobar Gaviria.
Na Argentina, a lavagem de dinheiro só está contemplada como delito na lei antidroga e é punível apenas se for demonstrado que os fundos provêm do narcotráfico. Mesmo assim, é um delito excarcerável.
O Congresso debate ainda um projeto de lei específico contra a lavagem de dinheiro, reclamado várias vezes pelos Estados Unidos.
As detenções coincidiram com a visita oficial do secretário de Defesa norte-americano, William Cohen, que disse à imprensa que o narcotráfico "representa uma ameaça para todas as democracias".
O procedimento se "precipitou", confirmou o juiz federal Gabriel Cavallo, porque o programa de televisão "Memoria", transmitido pelo Canal 9 de Buenos Aires, revelou que a viúva e o filho do falecido chefe do Cartel de Medellín residiam há vários meses na Argentina.
As suspeitas, segundo a imprensa, recaem sobre atividades financeiras e imoboliárias da família Escobar, mas o juiz negou-se a dar explicações por enquanto.
Cavallo considerou apenas uma "versão" de que os dois tiveram documentos com mudança de identidade outorgados pelo governo colombiano para protegê-los de inimigos de Escobar Gaviria, morto pela polícia em Medellín em 2 de dezembro de 1993.
O procurador-geral colombiano, Alfonso Gomez, disse nesta terça-feira que não há investigações criminais pendentes em seu país contra Henao e seu filho.





