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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 16 (AE) - Alimentar 3,5 milhões de pessoas: esse é o ambicioso plano do presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa. Através de seus assessores anunciou que após sua posse implantará um plano que custará US$ 900 milhões anualmente e que implicará na distribuição de vales para alimentos que serão distribuídos à parte da população que vive na indigência e que não consegue consumir diariamente a dieta mínima de calorias, que compõem a cesta básica argentina. Somente famílias com crianças serão beneficiadas pelo plano.
Técnicos do novo governo, que tomará posse no dia 10 de dezembro, consideram que o plano permitirá que para o ano 2003, a indigência seja reduzida de 8,8% do total da população do país
para somente 0,7%. Os técnicos consideram que os vale-alimentação são uma obrigação do Estado para garantir a igualdade de oportunidades.
Segundo Eduardo Bustello, um dos coordenadores da equipe de transição política encarregada do setor social, "erradicar a indigência na Argentina não custará mais do que 0,5% do PIB", disse Bustello, que afirmou que os fundos para este plano não acarretarão novos gastos orçamentários: "Existe uma grande fragmentação de programas de assistência, e descobrimos que existiam US$ 3,5 bilhões que podiam ser utilizados". O coordenador sustentou que não serão criados novos impostos para financiar o plano social.
O vale será um cartão magnético que poderá ser trocado por comida em supermercados e pequenos comércio. Somente em casos excepcionais será distribuída comida de forma direta. A intenção é dar US$ 35 a US$ 60 por cada criança que a família tiver. O valor concedido variará de acordo com a região. Calcula-se 60% das famílias indigentes possuem filhos de menos de 6 anos. Cada uma destas famílias teria cinco filhos.
A Igreja quer participar da distribuição. O presidente da Cáritas, monsenhor Jorge Casaretto, sustenta que a organização poderia agir como uma ONG, de forma neutra, impedindo que o plano seja utilizado de forma clientelista por prefeitos, vereadores e deputados ou que os vales sejam vendidos no mercado negro. Nos anos 80, o presidente Raúl Alfonsín implementou um sistema similar com que pretendeu conquistar parte do eleitorado peronista, que é majoritário entre a população indigente.
No momento, a Cáritas é responsável pela alimentação de um milhão de argentinos carentes, o que equivale a pouco mais de 2% da população do país. Desde a crise mexicana, a Cáritas tem sido uma das mais duras críticas da política econômica do governo do presidente Carlos Menem.


