Washington, 16 (AE-AP) - Em um claro sinal de que os investigadores encontraram indícios de ação criminosa na queda do Boeing 767 da EgyptAir, a Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, pelas iniciais em inglês) passou o caso para o FBI, a polícia federal norte-americana.
O avião, que saíra de Nova York para o Cairo, caiu na costa de Massachusetts, no dia 31, cerca de 40 minutos depois de ter decolado. Segundo a rede de televisão norte-americana ABC, uma das caixas-pretas resgatadas dos escombros do Boeing registrou uma voz, aparentemente do co-piloto, fazendo uma oração em árabe pouco antes de o avião começar a cair.
A mesma gravação, de acordo com fontes extra-oficiais, registrou ruídos de portas batendo e frases soltas que indicam uma situação de emergência - frases como "O que está acontecendo?" e "Puxe comigo, puxe comigo!".
O gravador de cabine teria captado também a frase "Jornada rumo à morte", antes da oração feita pelo co-piloto. A sequência de frases dá a entender que o comandante se ausentara da cabine por alguns instantes, retornando às pressas ao perceber que algo não corria bem.
As novas revelações surgem um dia depois de o presidente da NTSB, Jim Hall, ter anunciado que a segunda das duas caixas-pretas do avião não trazia nenhuma contribuição para a investigação e ter desautorizado os agentes do FBI a dar declarações sobre o caso.
"Se considerarmos uma ação suicida e deliberada de um membro da tripulação e uma disputa na cabine pelo controle do avião, então o quebra-cabeças começa a tomar forma", disse o investigador da NTSB e ex-piloto comercial Chuck Leonard. "Isso explicaria a trajetória do Boeing, o ângulo da queda no oceano e o desligamento dos dois motores."
A ocorrência de uma luta a bordo do avião também explicaria por que o controle de terra não foi informado da emergência.
Para muitos especialistas, a chave do mistério que causou a queda do avião está agora na sincronização dos dados das duas caixas-pretas. A primeira, que registra as ocorrências da última meia-hora do vôo, mostrou na semana passada que o piloto automático do avião foi desconectado, manualmente, a mais de 10.000 metros de altitude, segundos antes de o avião fazer uma descida controlada até 5.000 metros, quando os motores foram cortados.
Outros pilotos da EgyptAir, porém, não aceitam a hipótese de que alguém da tripulação do vôo 990 tivesse derrubado o avião de propósito. "Se um piloto tem necessidade de desligar o piloto automático é porque tem problemas que deve corrigir manualmente", diz Yusry Hamid, veterano comandante da companhia. "E qualquer piloto que se veja com problemas, seja ele muçulmano ou cristão, poderia dizer frases de conteúdo religioso."
Hamid também afirma que expressões como "inshala" - que pode ser traduzido como "Meu Deus!" - são rotineiras nos diálogos entre egípcios. "Um piloto que tenha a intenção de suicidar-se jamais tentaria fazê-lo depois de subir a 10.000 metros; ele teria mais oportunidade para provocar a destruição do avião durante a decolagem ou o pouso", acrescenta.
O piloto da EgyptAir diz ainda que os motores podem ter sido desligados numa tentativa da tripulação de reduzir a velocidade da queda. "Como o avião caía de nariz, esse seria um procedimento plausível", diz. "Creio que eles tentavam uma manobra para salvar o avião, atingido possivelmente por uma explosão, um míssil ou alguma outra coisa misteriosa."





