Nova York, 16 (AE-AP) - A Organização das Nações Unidas (ONU) não impediu o massacre sérvio de muçulmanos de Srebrenica (Bósnia- Herzegovina), em julho de 1995, por erros de avaliação, julgamentos equivocados e falta de habilidade para reconhecer o alcance da maldade (sérvia) na região, admitiu hoje (16) o secretário-geral Kofi Annan, que leu extenso relatório sobre o episódio no plenário da Assembléia-Geral da ONU.
Cerca de 8 mil homens de mais de 14 anos desapareceram de Srebrenica (uma espécie de protetorado da ONU na época), após a invasão da cidade pelos servo-bósnios em 11 de julho daquele ano. Mulheres, meninos e velhos foram forçados a retirar-se para áreas controladas pelos muçulmanos.
Annan atribuiu a inoperância da ONU à decisão do Conselho de Segurança de impôr embargos de armas e ajuda humanitária e retardar o envio de uma força de paz ao território. Segundo o secretário- geral, as Nações Unidas, lideradas pelos Estados Unidos, deram tratamento igual a sérvios e muçulmanos.
"O certo seria estabelecer um julgamento moral, reconhecendo que a campanha de limpeza étnica sérvia era perversa", acrescentou ele.
Annan lembrou que o embargo de armas deu indiscutível vantagem militar aos sérvios, privando a Bósnia do direito de defesa própria. "Não fizemos a nossa parte para salvar o povo de Srebrenica da campanha sérvia de assassinatos em massa", lamentou.
O embaixador bósnio na ONU, Muhamed Sacirbey, classificou o relatório de Annan de "passo alentador" das Nações Unidas na busca da verdade sobre o sangrento conflito.

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