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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 16 (AE) - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), poderá reconciliar-se com sua mulher, Nicéa, que deve continuar participando da administração municipal. A primeira conversa para a reaproximação ocorreu hoje e foi interpretada por vereadores governistas como uma forma de evitar uma crise institucional, caso Nicéa continuasse criticando-o e levasse adiante as promessas de revelar supostas denúncias contra secretários de governo.
Um vereador do PMDB, que pediu para não ser identificado, disse que a situação estava ficando "perigosa" e exigia uma "ação rápida do prefeito". Segundo ele, a base governista estava preocupada, porque "ninguém sabe realmente o que a primeira-dama pode provocar".
A primeira conversa entre Pitta e Nicéa, depois que ela tornou público o desentendimento do casal, ocorreu hoje. Os dois encontraram-se na casa do empresário e presidente de honra do PPB, Jorge Yunes.
Yunes é amigo do casal Pitta, disse ter contratado Nicéa para prestar-lhe assessoria na aquisição de obras de arte e também afirmou ter emprestado R$ 600 mil ao prefeito. "Eles chegaram cedo, tomaram café comigo, conversaram durante quase três horas e saíram aos beijos", contou Yunes.
De acordo com o empresário, o desentendimento ocorrido entre Pitta e Nicéa não passou de uma "briga normal que ocorre em todos os casamentos". "Assisti a cenas que me comoveram e, se ela voltar para a administração, tudo bem", disse Yunes.
O filho de Pitta, Victor, disse que um funcionário que trabalha para a família já havia ido buscar as malas de seu pai num flat, localizado no bairro de Moema. "Graças a Deus, eles estão-se acertando", afirmou o filho.
Ao ser perguntado se sua mãe voltaria a fazer parte do governo
Victor deu a entender que sim. "Ela tem o direito de fazer o que quiser e o meu pai dá essa abertura a ela", comentou.
Reação - Depois de três meses nos Estados Unidos, Nicéa reapareceu criticando os principais secretários municipais de São Paulo: Jorge Roberto Pagura (Saúde), Carlos Meinberg (Governo) e Alda Marco Antonio (Família e Bem-Estar Social). Em todas as críticas, o prefeito agiu rápido para evitar uma crise interna no governo.
Os secretários atacados, sem exceção, não responderam às críticas. Em recente entrevista ao Estado, Nicéa disse que só queria ver o prefeito novamente "diante do juiz".
O único comentário feito por Pitta em todo o episódio foi para negar que acertara a nomeação de sua mulher para uma secretaria, como ela declarou em uma das várias entrevistas que concedeu nas últimas semanas. Na sexta-feira, o prefeito assinou decreto extinguindo o cargo de presidente de honra do Centro de Apoio Social e Atendimento (Casa). Esse cargo era ocupado por Nicéa.
Ontem, ao desembarcar em São Paulo, ela afirmou que recorreria à Justiça para continuar exercendo suas funções no órgão vinculado à Prefeitura. O secretário municipal de Comunicação Social, Antenor Braido, limitou-se a dizer hoje que a tendência é de "reconciliação".
Braido disse não saber se Nicéa continuará participando ou não da administração. Assessores políticos do Palácio das Indústrias disseram que, a princípio, o acordo seria para a primeira-dama não mais interferir no governo municipal.


