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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 16 (AE) - Vinte e quatro das 30 piores escolas especializadas em educação infantil do País estão no Estado do Pará, segundo pesquisa feita em setembro pelo Ministério da Educação (MEC). Quase a metade não tem água encanada, 31% não possuem energia elétrica e outras 70% não dispõem de telefone. Dez dessas escolas ficam em Jacundá, no sudeste do Estado. Uma delas, municipal, sequer possui paredes. O teto é a copa de uma árvore e o quadro-negro fica pendurado em outra árvore. Quando chove, o professor é obrigado a suspender a aula.
Na zona rural de Jacundá, onde estão matriculadas 12 mil crianças, outra escola funciona em um galpão abandonado, na mesma área onde fica um curral de bois. Quando não há aula, os bancos servem de poleiro para patos e galinhas. O professor Eudejacir Martins diz que no município falta praticamente tudo para os alunos. "Aqui não tem carteira, giz, quadro-negro e, principalmente, merenda". Segundo ele, a situação piorou devido ao bloqueio das contas da prefeitura, há 20 dias.
De acordo com o professor Martins, o município recebeu R$ 200 mil do MEC, mas não teria aplicado os recursos na educação infantil. A verba teria sido desviada pelo atual prefeito, Levindo Emerique, afastado do cargo e respondendo a processo na Justiça sob a acusação de ter cometido diversas irregularidades. Pesquisa - Segundo a pedagoga Flávia de Carvalho, do MEC, o resultado da pesquisa revela a triste realidade educacional de crianças das regiões mais pobres do País. "Uma escola funcionando a céu aberto, dentro de um barraco de tapiri ou debaixo de uma árvore, está bem longe de ser considerada um prédio escolar ideal e, principalmente, adequado". A chefe da assessoria de Educação Infantil da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Hilda Queiroz, disse que órgão oficialmente ainda não tomou conhecimento da pesquisa do ministério. "Fiquei sabendo agora, através da imprensa".


