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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Deborah Kanarek 
Campos do Jordão, SP, 16 (AE) - A população judaica pode diminuir em até 66% na América Latina até 2020 se não forem feitos investimentos em educação para o fortalecimento da consciência da identidade cultural e religiosa.
O alerta é do professor Sérgio Della Pergola, da Universidade Hebraica de Jerusalém, onde leciona demografia no Instituto de Judaísmo Contemporâneo.
A pesquisa considera como judeus aqueles que se reconhecem como tal e não apenas aqueles nascidos de mães judias, como reza a tradição.
Esse foi um dos assuntos mais polêmicos debatidos no simpósio Judaísmo no Século 21, realizado entre os dias 12 e 15 de novembro em Campos de Jordão e que contou com a participação de cerca de 200 pessoas, entre membros da comunidade, professores convidados e interessados na questao judaica vindos de diversos países, entre eles Argentina, Venezuela, Uruguai e Estados Unidos.
Estudos realizados nos EUA indicam que 62% dos casamentos na comunidade são realizados entre judeus e não-judeus, sendo que em apenas um quarto dos casos os pais optam por dar aos filhos educação judaica.
Para Pérgola, os números são preocupantes e não variam drasticamente ao redor do mundo. Na América Latina estima-se que existam entre 400.000 a 500.000 judeus.
A população judaica mundial é de cerca de 13 milhões de pessoas, sendo que 5 milhões estão concentrados em Israel e o restante está distribuido pelo mundo, principalmente nos EUA, onde há aproximadamente 5,7 milhões.
Pérgola explica que o fluxo migratório para Israel está profundamente vinculado a situação política nos países de origem
onde os judeus estão instalados principalmente nos grandes centros urbanos.
O paradoxo é que, enquanto a concentração urbana poderia ser uma facilidade para a proximidade e a organizaçâo dessas comunidades e assim para a manutenção de suas tradições, alguns aspectos como a globalização e a crescente ampliação pela busca de informações em escala mundial, fazem com que os judeus estejam cada vez mais se afastando de suas comunidades.
Segundo a presidente do simpósio, Paola de Piccioto, com a proliferação da tecnologia da informação existe uma tendência ao isolamento que deve ser combatida pela melhor utilização dessas mídias para a agregação das comunidades.
Segundo o diretor-executivo da Confederação Israelita do Brasil, Ricardo Berkiensztat, este simpósio foi um evento cultural que teve por objetivo fomentar as relaçoes entre a Universidade Hebraica de Jerusalém (UHJ) e o meio intelectual brasileiro.
E explica que estão sendo firmados convênios para projetos de intercâmbio da Universidade de São Paulo (USP) e da UHJ.
A entrada do ano 5760 do calendário judaico foi celebrada em setembro, mas a virada do milênio no calendário cristão, aliada aos 50 anos da criaçâo do Estado de Israel e aos 75 anos da fundação da Universidade Hebraica de Jerusalém, foram os fatores que motivaram a realizaçâo das discussões propostas no simpósio.


