Rio de Janeiro, 16 (AE) - O ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, disse hoje que mandou investigar a denúncia de que dinheiro proveniente do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) estaria sendo desviado, com a conivência de prefeitos do Nordeste, para o esquema do narcotráfico.
"Em nossas investigações não tínhamos ainda tomado conhecimento de vinculação de desvio de verba com o crime organizado", afirmou, hoje à tarde, na inauguração da sede da Fundação Darcy Ribeiro (FUNDAR), em Santa Teresa, no centro do Rio de Janeiro.
Segundo Paulo Renato, denúncias de desvio de verbas e fraudes no Fundef "não são novidade". Por conta disso, o Ministério da Educação vem realizando, por intermédio de conselhos de acompanhemento e junto com tribunais de contas de municípios e Estados, levantamentos sobre desvio de verbas.
O que nunca tinha sido denunciado, disse o ministro, é uma possível ligação com o crime organizado. "Fiquei surpreso", reconheceu.
De acordo com assessores, integrantes da CPI do Narcotráfico não fizeram contato oficial com o ministério. A denúncia de que prefeitos nordestinos repassariam recursos federais a firmas fantasmas foi feita pelo deputado Wellington Dias (PT-PI).
Segundo o relatório entregue pelo parlamentar à CPI do Narcotráfico, prefeituras do Nordeste receberiam recursos provenientes do Fundef, do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo de Participação de Municípios (FPM) e os teriam repassado à emissários do crime organizado, que emitiriam notas frias de empresas de fachada.
De acordo com integrantes da CPI, a organização criminosa teria movimentado, nos últimos 12 meses, cerca de R$ 100 milhões.
Em seu curto discurso na inauguração da sede da Fundação Darcy Ribeiro, Paulo Renato anunciou que o Ministério da Educação liberou R$ 400.000 para que a FUNDAR possa dar início ao projeto de Curso Normal de Ensino à Distância. "Este era um sonho de Darcy e um compromisso que eu tinha estabelecido com ele", lembrou.
Segundo a vice-presidente da FUNDAR, Tatiana Memória, com a verba serão produzidos programas de televisão, material didático e fitas de vídeo. O projeto, que será nacional, deve ser implantado a partir do agosto do ano que vem.

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