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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 16 (AE) - O Ministério Público do Rio vai intimar 21 pessoas para depor sobre a existência de uma rede que divulgava imagens, fotos e filmes de pornografia infantil na Internet. Segundo o promotor Romero Lira, apesar do laudo pericial contudente do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil, divulgado hoje, os envolvidos só deverão ser denunciados após prestarem depoimento.
A investigação do MP, batizada de Catedral, durou um ano e cinco meses e envolveu 30 promotores e cem policiais militares. Foram estourados 27 endereços. Em 23, os promotores apreeenderam farto material de informática - computadores, CD-ROMs, disquetes e zipdiscs - contendo imagens de pedofilia. Em três locais, a equipe precisou usar um software americano para recuperar o material ilegal que havia sido deletado dos computadores pelos usuários.
A maioria dos envolvidos é morador da zona sul do Rio e tem nível superior - entre os quais, médicos, estudantes de medicina, geólogos, empresários e até um pastor evangélico. Além da pedofilia, ele trocavam imagens contendo cenas de sexo com animais e necrofilia (sexo com cadáveres). "É um massacre", resumiu Lira. "São cenas de homens e mulheres praticando sexo anal e oral com crianças a partir de dois anos, mas o que mais choca são as imagens de pedofilia gay". Segundo o promotor, em um dos computadores a polícia encontrou imagens do próprio filho de um usuário tomando banho nu.
O laudo pericial do material será agora encaminhado a 38ª Vara Criminal do Rio. Lira explicou que a opção de chamar os envolvidos primeiro para depor é por "cautela", porque o material já serviria como prova para denunciá-los. "Queremos dar uma chance para que eles se expliquem", disse.
O promotor comentou que a maior parte do material é estrangeiro - norte-americano, europeu e tailandês - e que, por isso, será muito difícil chegar aos autores dos sites de onde eles eram obtidos. "Também não podemos processar os provedores, porque seria como culpássemos os Correios pelo envio de uma carta-bomba", comparou. As investigações sobre a rede ilegal de pedofilia foram iniciadas depois que Lira recebeu denúncias, em maio do ano passado. Com a ajuda do estudante Wanderley José de Abreu Júnior, responsável pelo programa de segurança de grandes empresas, o promotor passou madrugadas buscando as imagens na Internet. Nenhum dos usuários usava medidas de seguranças e a maior parte das fotografias e filmes contendo pornografia infantil era trocada em salas de bate-papo - os chats.


