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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 16 (AE) - A polícia encaminhou hoje para o Tribunal do Júri o inquérito sobre a morte de três pessoas e ferimentos causados em outras cinco no cine 5 do MorumbiShopping
na noite do dia 3, em São Paulo. O estudante do 6.º ano de medicina da Santa Casa de Misericórdia Mateus da Costa Meira, de 24 anos, acusado dos crimes, foi indiciado por homicídio doloso (intencional).
Com uma submetralhadora de fabricação norte-americana, Meira deu um tiro no espelho do banheiro do cinema. Depois, fez outros 39 disparos na direção da platéia, durante a projeção do filme "Clube da Luta". No inquérito, de 320 páginas, está indiciado, como co-autor, Marcos Paulo Almeida dos Santos, de 21 anos, apontado pela polícia e por Meira como responsável pela venda da arma, munição e de drogas.
Foram ouvidas 59 pessoas, entre elas duas médicas do Hospital Emílio Ribas, do setor de infectologia. Durante seu estágio, Meira sofreu um acidente "perfurante" com um paciente contaminado com HIV e foi submetido a tratamento.
Conduta - O delegado Virgílio Guerreiro Neto, do 96.º Distrito, analisa em seu relatório a conduta de Meira, aborda a vontade dele de matar, cita o uso de drogas pelo estudante e a premeditação do crime. Meira matou Fabiana Lobão de Freitas, Hermé Luísa Jatobá Vadasz e Júlio Maurício Zemaitis. Feriu Andréa Cury Lang, Antonio José de Carvalho Amaral Martins, Alexandre Guidoni, Carlos Eduardo Porto de Oliveira e José Eduardo Andrade dos Santos.
Guerreiro Neto reproduziu trechos do depoimento de Meira
que foi preso no cinema quando as balas do pente acabaram. Contou que o rapaz começou a assistir ao filme que tinha a história de uma pessoa esquizofrênica. Depois, relatou que Meira levantou-se, foi ao banheiro, armou a submetralhadora, deu um tiro no espelho e voltou para a sala de projeção, passando a atirar na platéia.
Cenário de filme - O delegado disse ter perguntado ao estudante qual era a sua intenção. "Não soube responder, não sabia o que aconteceria." O rapaz contou ao policial ser consumidor habitual de drogas e acreditava estar "num cenário de um filme".
O mecânico Santos é citado em duas páginas do relatório. "Mateus tinha sempre dinheiro no bolso, não tinha amigos, não se relacionava com seus colegas de faculdade de medicina", escreveu o delegado. "Seu único amigo, Marcos, de nível social e intelectual bastante diferente, na verdade servia apenas de intermediário para que Mateus pudesse conseguir entorpecente e mais tarde armas."
Segundo o texto, Santos contribuiu para o sucesso do crime, pois, se não sabia exatamente o que iria ocorrer, podia prever o que Meira estava "a fim de fazer". Desde o momento de sua prisão, explicou o delegado, o mecânico demonstrou estar bastante preparado nas suas respostas ao negar sempre o conhecimento dos fatos.
Santos foi denunciado à polícia por Meira. Ao ser preso, tinha em seu poder R$ 1 mil em notas de R$ 50,00 e R$ 100,00 retiradas de um caixa eletrônico pelo estudante de medicina no dia anterior. O mecânico cobrou R$ 5 mil pela submetralhadora, pagou R$ 4 mil e lucrou R$ 1 mil. O inquérito será entregue ao promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva, que deve apresentar a denúncia na sexta-feira.


