Belo Horizonte, 16 (AE) - Os cerca de 100 menores infratores que participaram da rebelião de ontem (15) no Centro de Integração do Adolescente (CIA), em Sete Lagoas, a 70 quilômetros de Belo Horizonte, começaram a ser transferidos hoje para a Penitenciária de Mulheres Estevão Pinto, no bairro Horto, na capital mineira. Na rebelião um rapaz de 17 anos foi asassinado a golpes de enxada e quatro ficaram feridos. A transferência foi acertada em reunião de assessores do governador Itamar Franco (PMDB) com o juiz da Infância e da Juventude da capital, Tarcísio Costa.
Logo após a rebelião Costa acusou autoridades estaduais de responsabilidade no caso, pois na semana passada o governador e secretários teriam sido alertados pelo Juizado e pelo Ministério Público sobre o barril de pólvora em que se transformara o CIA. A Penitenciária Estevão Pinto passou por uma grande reforma, recentemente, mas a obra não foi inaugurada. Cerca de 130 detentas da instituição penal aguardavam a entrega do prédio, abrigadas no antigo depósito de presos da Lagoinha, perto do centro de Belo Horizonte. Com a ida dos menores para a penitenciária, elas foram prejudicadas.
"Essa solução é emergencial e atende o interesse dos meninos", disse o juiz Costa. O secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Henrique Hargreaves, informou que os meninos ficarão na penitenciária - onde as celas são individuais, com banheiros e camas relativamente confortáveis - até que o CIA seja reformado. Ele foi destruído na rebelião."Não estamos transformando a penitenciária de mulheres em centro de menores, mesmo porque ela ainda nem foi inaugurada"", explicou o secretário. "Estamos usando o local como se fosse um prédio qualquer", disse.
Enterro - No sepultamento de Gleisson Junio Braz da Silva, de 17 anos, morto pelos menores rebelados no CIA, parentes informaram que vão processar o Estado e pedir indenização pela morte do rapaz. "Ele estava na solitária e foi pego pelos outros sem a menor chance de se defender", disse a mãe, Antônia Silva. "Além disso, era de conhecimento das autoridades que meu filho estava jurado de morte por alguns internos, porque ter se envolvido em um crime em Belo Horizonte, no ano passado", acrescentou.
Segundo relatório de promotores da capital, que fizeram levantamentos recentes no CIA, além de Gleisson outros três meninos corriam risco de vida na unidade.
Itamar - O governador passou boa parte do dia, hoje, em reuniões com assessores discutindo a rebelião em Sete Lagoas, mas não anunciou demissões, como era esperado.

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