Porto Alegre, 16 (AE) - Os 22 bispos do Rio Grande do Sul aprovaram hoje uma moção em favor da preservação dos recursos orçamentários para a reforma agrária estadual. Eles justificaram a atitude invocando a "histórica posição" da Igreja Católica pela "melhor distribuição da terra".
A destinação de R$ 28 milhões do orçamento do Estado para a compra de terras no próximo ano está ameaçada pelo grande número de emendas ao texto apresentadas pela oposição. As emendas retira todos os valores previstos para a reforma agrária
transferindo-os para outras rubricas, o que representa, na prática, a inviabilização do programa estadual de distribuição de lotes.
Firmado por D. José Mário Stroher, presidente da Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB-Regional Sul), o apelo "responde aos clamores de tantos agricultores em busca de um pedaço de chão para produzir"."Constatando que as necessidades da população são muitas e os recursos do Estado limitados", os bispos pedem aos deputados e ao Executivo que dêem "especial atenção" à reforma agrária, "alocando-lhe os recursos necessários para sua efetiva execução". No texto, lembram "as sábias palavras" do Papa João Paulo II, para quem "a reforma agrária é uma questão de justiça e o futuro da democracia".
A intenção do governo estadual é de assentar 10 mil famílias de sem-terra em quatro anos. Os R$ 28 milhões foram designados, como um aporte inicial para esta finalidade pelo Orçamento Participativo (OP) estadual, em reuniões nas quais votaram 190 mil pessoas em mais de 467 municípios. Mas quando a proposta do OP chegou ao Legislativo recebeu centenas de emendas de deputados do PMDB, PFL, PPB, PTB e PSDB, com maioria na Assembléia Legislativa e que, sistematicamente, tentam barrar as principais ações do Executivo.

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