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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 16 (AE) - As organizações não-governamentais (ONGs) que participam de um fórum paralelo na Terceira Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), em Pernambuco, querem que as experiências de êxito no Semi-árido brasileiro sejam transformadas em políticas públicas. Com esse objetivo vão apresentar, na segunda-feira, na parte oficial do evento, um documento de 33 páginas elaborado por 50 ONGs nordestinas sob o título de "Ações Permanentes para o Desenvolvimento Sustentável do Semi-árido".
O documento defende que as ações realizadas sigam uma linha baseada no desenvolvimento sustentável, que dê condições de autonomia às populações. "A sociedade civil nordestina entende que o desenvolvimento deve incluir crescimento econômico
condições dignas de vida, justiça, participação social e preservação ambiental", afirmou o coordenador do Fórum Paralelo
Expedito Rufino, integrante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Experiências - Uma dessas experiências positivas no semi-árido encontra-se na Fazenda Caroá, no município de Afogados da Ingazeira, a 380 quilômetros do Recife. Seu proprietário, José Artur Padilha, implementou um sistema de barragens subterrâneas, de alta tecnologia e baixo custo, que permite convivência com a seca. O local já foi visitado pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, que prometeu financiar cem dessas barragens no semi-árido. A promessa ainda não foi cumprida.
No sábado, uma comissão de financiadores internacionais, deverá ir ao local, a convite do governo de Pernambuco acompanhada da única delegada do Estado na COP-3, a secretária-adjunta estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandrina Sobreira. O objetivo é obter financiamento para obras semelhantes no Estado. Pernambuco tem três municípios - Cabrobó, Petrolândia e Belém do São Francisco - incluídos nos quatro núcleos de desertificação do Brasil. Outros 148 fazem parte das áreas de susceptibilidade, sendo que 98 deles já apresentam algum nível de degradação, seja por erosão, desmatamento, salinização ou poluição por uso intensivo de agrotóxico.


