Rio, 16 (AE) - O ano letivo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai ter 50 dias a mais de aula a partir do próximo ano. O novo calendário, já aprovado pelos conselhos universitários, prevê 200 dias letivos divididos em quatro blocos de 50 dias, intercalados com uma semana de férias.
Com esse sistema, o reitor José Henrique Vilhena espera reduzir o abandono de cursos. Atualmente cerca de 50% dos alunos não concluem os cursos. "A idéia é titular entre 75% e 80% dos estudantes que ingressam na universidade e nesses 200 dias letivos será possível desenvolver propostas didáticas inovadoras", afirmou o reitor, sem detalhar as propostas.
Vilhena negou que o objetivo do novo calendário seja encurtar o prazo de formatura em um ano, como foi divulgado em março, quando do lançamento do projeto. "A média de quatro anos e meio de convivência universitária é um período de maturação do aluno, em que ele se prepara para o mercado de trabalho", afirmou.
Também não haverá aumento de vagas. A proposta inicial previa um terço a mais de vagas na UFRJ, que ofereceu 6 mil em 1999. "O que a UFRJ está oferecendo à sociedade brasileira são 50 dias a mais de trabalho planejado e programado para melhorar a qualidade de ensino", disse.
Para o reitor, o principal benefício do novo calendário é unificar o sistema de aulas e férias na universidade, que é desencontrado. Alunos de medicina têm 21 semanas de aula, divididas em dois períodos; na Coordenação de Programa de Pós Graduação e Engenharia (Coppe), as aulas são ministradas em quatro blocos de 12 semanas; mas na maioria dos cursos os alunos assistem a 15 ou 16 semanas de aula por semestre. "Isso impede que o aluno circule na universidade, tenha acesso a outras faculdades", afirmou Vilhena.
Os conselhos universitários de graduação e pós-graduação se reúnem na quinta-feira para fazer os últimos ajustes no calendário, que tem sido recebido com cautela pelos alunos. "Acreditamos que vão ficar notas pendentes de um período para outro, porque a secretaria não vai dar conta de registrar as notas a cada 50 dias", afirmou Luciana Figueiredo, do Centro Acadêmico de Comunicação. Ela se queixou que as notícias estão chegando "com atraso" aos estudantes.

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