Manaus, 16 (AE) - O terreno que sustentava o Porto do Cordeiro, no bairro Colônia Oliveira Machado, na zona sul de Manaus, cedeu hoje, por volta das 10 horas, afundando sete barcos e duas balsas. Oito pessoas ficaram feridas e 20 estão desaparecidas. O deslizamento do aterro foi em uma área de 200 metros de extensão na margem do Rio Negro, onde havia três portos de carga e descarga de empresas privadas.
Na hora do acidente trabalhadores de balsas, caminhões e barcos trabalhavam no despacho de mercadorias, entre as quais, petróleo, veículos, bebidas, gás combustível e alimentos. No local havia 17 balsas e dezenas de pequenas embarcações. Um grande redemoinho se formou durante o desabamento do porto, que teria sido construíido sobre um aterro, de forma inadequada.
"Não sei como sobrevivi", disse o marinheiro Raimundo de Souza Portela, de 37 anos, que trabalha na Balsa Copa Boa. "O barranco cedeu e pulei dentro do rio", contou José Ribamar Torres, de 32 anos. Segundo Torres, seu colega Francisco Coelho, 27 anos, ficou preso dentro do barco que afundou. Entre os desaparecidos estão a cozinheira Maria Auxiliadora Alves de Souza, de 19 anos, o comandante José Maria de Albuquerque, de 39 anos, o ajudante Cartezano Alves de Souza. Eles estavam dentro do barco Francisco Tantas, que naufragou.
Equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Capitania dos Portos trabalham na operação de resgate. Por volta das 13h25 a terra voltou a deslizar no lado direito do porto - que fica depois da Feira da Panair, onde milhares de pessoas passam todos os dias. Um bombeiro foi ferido e levado para o hospital em um helicóptero.
Interdição - A Empresa de Municipal de Urbanização (Urban) interditou as três empresas que exploravam o porto. Os proprietários Idelfonson Cordeiro, Demétrio Salles e Pedro Nonato da Silva foram notificados com base na Lei 11/90 artigos 200 e 201 por explorar comercialmente uma área com risco de desabamento.Cordeiro é deputado federal pelo Acre e explora há muitos anos o transporte fluvial na Amazônia. Ele é dono de revendedoras de combustível e gás de cozinha e da empresa Navegim Navegação Ltda.
Terra - O engenheiro Jocemar Coelho Millon disse que o porto foi construído em local indevido, onde existia uma serraria. O nivelamento com o rio - cerca de 10 metros, foi feito com seixo e areia. Não havia contenção para suportar a vibração das máquinas. "A infiltração causada pelas águas do rio também ajudou na ruptura brutal do terreno", afirmou Milon.
O presidente da Urban, Waldilson Cruz, disse que os três proprietários do porto responderão pelo acidente.

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