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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 16 (AE) - A polícia apreendeu hoje, na Favela Vila Cruzeiro, na zona norte do Rio, dois CDs de funk entitulados "Proibidão do rap", com músicas que fazem apologia à violência e ao tráfico de drogas. Os dois têm inscrição da facção criminosa Comando Vermelho. Policiais do 16º Batalhão de Polícia Militar, de Olaria, e da 22ª Delegacia Policial, na Penha, há algum tempo vinham investigando uma quadrilha da Vila da Penha que fabricava os CDs há meses. Recentemente, receberam uma denúncia anônima de que o material estaria em um barraco da Vila Cruzeiro. Foram apreendidas também notas falsas de R$ 50 e drogas.
No local foi encontrado um CD matriz, que serviria de base à confecção de outros, caixas e encartes. Pela análise dos títulos das músicas, o delegado Mário Azevedo, da 22ª DP, acredita que fica clara a alusão ao crime. "Iremos investigar se há realmente a ligação direta entre o funk, o tráfico e a falsificação de dinheiro", disse Azevedo. Alguns dos títulos são: "Morte aos policiais", "Paz, 45 e 9 mm" (aludindo a calibres de pistolas) e "Bazuca, assalto e justiça".
O material, assim como dez notas de R$ 50 e ainda 36 sacolés de cocaína, estavam em uma bolsa próximo a um barraco no local conhecido como Largo do Sacopã e foi encontrado por policiais do 16º BPM no início da tarde. No encarte há uma inscrição em homenagem a um dos criadores do Comando Vermelho, Rogério Lemgruber, assinado por vários traficantes já identificados pela polícia, como Dão, Baby e Marcinho VP.
Funk - O delegado Artur Cabral, da 28ª Delegacia Policial, de Campinho, responsável por uma varredura no mundo do funk e pela prisão do produtor de bailes José Cláudio Braga, o Zezinho, apreendeu farto material que o leva a crer na existência da ligação entre o funk e o comércio de drogas, que é investigada há pelo menos cinco anos. Zezinho foi preso por porte ilegal de armas e com ele foram encontradas fitas cassete de bailes com cenas de pancadaria.
Para Cabral, os bailes "servem de fachada para o tráfico". "Finalmente poderemos contar com provas técnicas dessa conexão. Estou certo de que os bailes incitam não só a violência, mas também o consumo de drogas e a pornografia", afirmou o delegado.


