Recife, 16 (AE) - Conscientização e educação como forma de prevenir o uso de entorpecentes e oferta de atividades alternativas para quem sobrevive da indústria da droga. Aliadas à repressão, estas foram as principais ações defendidas hoje, por especialistas e autoridades públicas para o combate às drogas, durante o I Fórum Pernambucano Sobre Consumo Indevido de Drogas, no Recife. O encontro foi aberto pelo vice-presidente da República, Marco Maciel, e pelo secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch.
Segundo o secretário de Justiça do Mato Grosso do Sul, Celso Philbois, 46% da população carcerária do seu Estado cumpre pena por tráfico de drogas. Esse percentual chega a 100% em municípios que fazem fronteira com a Bolívia e o Paraguai. De acordo com o secretário, em casos como esses, não adianta apenas reprimir. É preciso dar condições de sobrevivência a essa população, na maioria gente simples que aceita fazer o transporte de drogas como forma de manter suas famílias. "O tráfico tem o perfil de uma empresa", observou. "Se um funcionário é preso, outro é contratado em seu lugar".
Fato semelhante ocorre no sertão pernambucano, maior produtor de maconha do País. Muitos agricultores trabalham com o cultivo da maconha para sobreviver. Por isso, segundo o secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, o governo federal está liberando crédito, através do Banco do Nordeste (BN), para que esses trabalhadores passem a plantar culturas alternativas. Foi assim, frisou Maierovitch, que se conseguiu reduzir drasticamente a produção de drogas em países como Tailândia, Paquistão, Peru e Laos.
Prevenção - O secretário de Justiça de Pernambuco, Humberto Vieira de Melo, acrescentou que a prevenção é outro aspecto fundamental no combate às drogas, porque atinge a demanda. "Se há uma indústria da droga, é preciso conscientizar os jovens e crianças para que eles não venham a se tornar usuários", observou. "Sem demanda, a indústria perde a força". Melo contou que para enfrentar o crescente uso de álcool pelos adolescentes no Recife, a secretaria iniciou um trabalho de conscientização que tem como aliados as escolas e os garçons.
Os garçons de clubes esportivos e os que se formam pelo Senac estão recebendo treinamento para se informar não somente sobre a legislação que proíbe venda de bebida alcoólica a menores, como dos danos e consequências do seu uso. Pesquisa feita entre alunos de escolas públicas e privadas do Recife, em abril, apontou que 12 em cada 100 consomem álcool seis ou mais vezes ao mês e 67,5% dos entrevistados começaram a beber entre 12 e 14 anos. Um outro levantamento, feito pelo Cebrid, ligado à Universidade Federal de São Paulo, em 1997, mostrou que 29% dos adolescentes recifenses bebem.
O fórum termina amanhã. As discussões ligadas à repressão, tratamento e à prevenção do uso de entorpecentes servirão de subsídio para a elaboração de políticas e estratégias que diminuam a oferta e o consumo de drogas de forma integrada com o governo federal e os governos municipais.

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