Rio, 16 (AE) - Mais da metade dos moradores do município do Rio de Janeiro está acima do peso, segundo pesquisa feita pelas universidades dos Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Federal Fluminense (UFF) e Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Embora o estudo tenha sido feito em 1996, os primeiros resultados só começaram a ser divulgados recentemente. O trabalho, coordenado pela professora do Instituto de Medicina Social da Uerj, Rosely Sichieri, constitui o primeiro banco de dados do consumo alimentar no município.
A pesquisa chegou a dados alarmantes: menos de 30% dos entrevistados admitiram praticar atividades físicas, 60% consomem cálcio em quantidade insuficiente e cerca de 50% ingerem mais gordura e colesterol do que deveriam. "A industrialização facilitou a aquisição de alimentos, mas está associada ao consumo de produtos pouco nutritivos, calóricos", diz Rosely, que defende a alimentação tradicional. "Uma dieta à base do arroz com feijão, verduras e frutas é ideal para controlar o peso".
A pesquisa foi feita em 2.400 casas no município do Rio com 4.008 adultos - 1.778 homens e 2.230 mulheres. Entre os homens com excesso de peso, 45% têm pelo menos o 2º grau completo. Nas mulheres, a obesidade se concentra entre as que não terminaram o ensino médio: 40%. "Isso demonstra que as mulheres com mais escolaridade têm outro tipo de atividade e interesse", afirma Rosely.
Barriga - Além do excesso de peso na população carioca, os técnicos das universidades se preocuparam com o acúmulo de gordura na barriga - em gordos e magros. "A deposição de gordura no abdômen é fator de risco para diabetes e infarto do miocárdio, por exemplo, e independe do peso da pessoa", afirmou a médica. Cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens estão barrigudos, de acordo com a pesquisa. O fator de risco pode ser medido pela divisão da circunferência da cintura pela do quadril: os homens devem manter índice abaixo de 0,95 e mulheres
menos de 0,80.
A atividade física foi outro hábito estudado pela pesquisa. "Poucas pessoas têm ocupação que provoque o desgaste de energia e apesar disso a maioria não faz nenhuma atividade física de lazer", afirmou Rosely. A caminhada é praticada por apenas 6% dos homens e 7% das mulheres: 28% dos homens e 9% das mulheres preferem outras atividades, como volei, futebol, tênis ou dança. Tomar conta de crianças com menos de três anos foi considerado atividade física, praticada por 12% das mulheres. "Ninguém fica parado ao cuidar de criança pequena, é como fazer caminhada", justificou Rosely, que publicou o resultado do trabalho no livro "Epidemiologia da Obesidade", da editora da Uerj.

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