Brasília, 16 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, descartou hoje a possibilidade de aumento de preços dos derivados de petróleo em função da alta do preço do barril, que atingiu US$ 25, o nível mais alto nos últimos três anos. "Vamos aguardar; não vamos fazer nenhum movimento", disse o secretário. "Não temos planejado aumento para o futuro próximo." Ele disse acreditar que o preço do barril do petróleo voltará a cair e que a cotação do dólar também não ficará no patamar atual. "O dólar não vai ficar neste patamar", insistiu. O secretário explicou que a alta do barril de petróleo está muito relacionada ao inverno no hemisfério norte, que provoca um aumento da demanda.
Segundo técnicos da área econômica, a intenção do governo é só voltar a discutir reajustes da gasolina no ano que vem, se as condições externas assim o permitirem. Prova disso é que foi adiado para 2000 o fim do subsídio ao álcool anidro (misturado à gasolina), previsto originalmente para este final de ano.
O governo recuou no caso do anidro ao verificar o que aconteceu com o álcool hidratado. Com o fim do subsídio, era esperado um aumento de no máximo 6%, mas os reajustes bateram em 50% e afetaram até a gasolina, que não leva álcool hidratado na sua composição.
Considera informou, ainda, que técnicos de sua secretaria estiveram hoje no Ministério da Agricultura analisando dados sobre os estoques oficiais de álcool hidratado. O governo poderá colocar seus estoques no mercado, para tentar reduzir o preço do álcool na bomba.
Ainda está em análise na Receita Federal a proposta para a criação de uma contribuição sobre os combustíveis derivados de petróleo, como gasolina, diesel, gás de cozinha e querosene de aviação. O governo estuda a possibilidade de propor ao Congresso essa contribuição, para garantir receitas ainda para o ano que vem. A contribuição virá para substituir uma espécie de imposto disfarçado que atualmente já está no preço dos combustíveis: a Parcela de Preço Específico (PPE). Pela Lei do Petróleo, a PPE terá de acabará a partir de agosto de 2000. A nova contribuição a substituirá sem, no entanto, levar a aumentos nos preços ao consumidor.

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