Washington, 16 (AE) - O Brasil dificilmente conseguirá reduzir a inflação em 1999, diz o economista-chefe do banco de investimentos ING Barings, Arturo Porzecanski. Por isso mesmo não pode correr o risco de baixar suas altas taxas de juros este ano.
No domingo passado, durante sua visita a Cuba, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que não vê uma "tendência inflacionária consistente" e, portanto, "a tendência será de diminuição da taxa de juros". Mas tanto Porzecanski quanto o responsável por Mercados Emergentes do banco de investimentos Goldman Sachs, Paulo Leme, são menos otimistas. Ambos acham que esse é um momento de extrema cautela.
Para Porzecanski e Leme, o Banco Central tomou a decisão certa ao manter os juros básicos em 19% na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), para evitar a inflação. Na próxima reunião, dia 15 de dezembro, o ideal seria manter a situação inalterada.
Segundo Porzecanski, muitas empresas absorveram a desvalorização cambial por falta de opção: o mercado estava em recessão. Mas quando o mercado se recuperar, essas empresas estarão mais tentadas a repassar os aumentos. "Não se pode ignorar que o que antes se comprava no exterior a R$ 1,2 hoje custa R$ 1,9", explica. "E poucos vão querer vender a R$ 1,2 algo que podem vender a R$ 1,9."
Porzecanski não acredita que a inflação vá disparar. Mas diz que para é importante mantê-la baixa, especialmente porque o governo convenceu o Fundo Monétário Internacional (FMI) a alterar o programa de ajuste para incluir metas inflacionárias. "A lua-de-mel acabou: não há mais espaço para redução de juros no Brasil.", diz.
Na opinião de Leme, com o real tão desvalorizado só existem duas possibilidades de ajuste no futuro. A melhor é uma apreciação da taxa nominal de câmbio, que será viável se houver uma expressiva melhora do balanço de pagamentos no primeiro trimestre de 2000 (de até US$ 10 bilhões) em relação ao último trimestre deste ano.
Mas se isso não ocorrer ou a se economia for afetada por algum fator externo, esse ajuste se dará pela inflação. "Nesse caso aumentarão os preços dos serviços." Leme acredita que há possibilidade de melhorar o balanço de pagamentos e o resultado da balança comercial até o começo de 2000. Mesmo assim, diz que a situação do País "exige muita cautela".

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