São Paulo, 16 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, disse hoje que, se a inflação der mostras de alta, as taxas de juros poderão ser elevadas. Tápias afirmou, no entanto que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) não deverá refletir o forte aumento dos preços no atacado. Isso porque a indústria tem registrado ganhos de produtividade, que devem absorver o aumento de preços ao produtor. Ele disse que o alerta feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso sobre possível aumento de juros foi feito num momento bastante apropriado.
Tápias afirmou que se a meta de inflação para este ano, 8%, for posta em risco, as taxas de juros devem subir. "Estamos todos atentos e se nós sentirmos que podem estar surgindo indícios de que esse número seja maior, medidas serão tomadas com o intuito de reverter o quadro", disse. A elevação do juros é a principal medida a ser adotada.
Para o ministro, a inflação do próximo ano deve ser "ligeiramente superior" aos 6% fixados como meta pelo governo. "Nós podemos tomar medidas daqui para frente que evitem que haja um aumento na taxa de inflação", observou.
De acordo com o ministro, os reajustes nas tarifas de energia elétrica, combustíveis e telefonia podem ser revistos caso os contratos permitam. "Os contratos firmados na privatização serão observados na íntegra", disse. "Mas onde houver espaço para que se possa estabelecer um nível de reajuste menor, isso também será feito." Ele informou que os ministros de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e das Comunicações, Pimenta da Veiga, determinaram que as agências reguladoras estudem, a partir da próxima semana, os aumentos de tarifas públicas.
Em sua avaliação, a alta da inflação é motivada principalmente pelo aumento dos preços do atacado, causado em grande parte pela elevação do preço do álcool e das tarifas de energia elétrica e de telecomunicações. Tápias reforçou o apelo do presidente aos empresários para que diluam o aumento de custos nos ganhos obtidos com produtividade.
"O que é preciso é que os empresários tenham presente que todos os seus ganhos de produtividade conseguidos nos últimos tempos sejam utilizados também como uma forma de diluir e absorver parte do acréscimo de custos".
O ministro participou hoje, em São Paulo, da premiação Personalidade de Vendas da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil, entregue ao presidente do conselho de administração da Sadia, Fernando Furlan.
À tarde, o ministro participou da assinatura de um convênio para produção mais limpa das pequenas e médias empresas. O objetivo do acordo é elevar o nível de qualidade e competitividade das empresas sem afetar as condições ambientais, por meio da redução de desperdício de matéria-prima, água, energia elétrica e da diminuição do nível de poluentes.
O convênio foi firmado entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social, a Confederação Nacional da Indústria, O Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.

mockup