Rio, 16 (AE) - Após comprar as duas principais refinarias da Bolívia ontem, a Petrobras pode ampliar seus investimentos no país sul-americano com a participação na privatização dos dutos e bases de distribuição do combustível refinado, prevista para janeiro. O diretor da área de Refino, Comercialização, Transporte e Logística da estatal, Albano de Souza Gonçalves, disse que o edital da próxima desestatização do governo boliviano está em análise, após ser divulgado na sexta-feira. É o primeiro investimento da estatal na área de refino no exterior, por meio de sua subsidiária Braspetro.
Gonçalves explicou que como a Petrobras passou a controlar a maior parte do setor de refino boliviano, em associação com a Perez-Companc, pela lei poderá ter apenas até 20% de participação no setor de logística, que compreende os dutos e as bases da estatal boliviana YPFB. "O ideal seria a integração que fosse do poço à distribuição, mas o interesse depende do edital", afirmou o diretor da companhia.
O diretor da Petrobras explicou que as refinarias adquiridas ontem serão usadas para o refino do óleo a ser retirado nos campos de San Antonio e San Alberto, explorados pela companhia brasileira na Bolívia, onde foram feitas grandes descobertas de gás recentemente. Segundo Gonçalves, o combustível líquido será vendido no mercado interno boliviano, e o gás virá para o Brasil.
As refinarias processam hoje 33 mil barris de óleo fino por dia, enquanto que o consumo do mercado boliviano é de 38 mil barris diários. A capacidade total de refino é de 27.250 barris destilados por dia na unidade de Cochabamba, e de 20 mil barris na refinaria de Santa Cruz de La Sierra. O diretor explicou que dentro de dois a três anos as unidades devem processar 20 mil barris diários apenas de combustíveis líquidos, o que significará compra de óleo bruto do Exterior.
O investimento nas refinarias, afirmou o diretor da Petrobras, foi decidido também por causa da previsão de aumento do mercado de petróleo boliviano de 5% ao ano, a curto prazo. Esta expansão vai ser fortemente baseada no aumento do consumo do gás da Bolívia pelo Brasil, explicou.
A Petrobras detém 70% da associação com a Perez Companc na compra das duas unidades, e deve pagar o correspondente a este percentual no total de US$ 102.000.500,00 pela compra das refinarias.
As duas empresas, que vão formar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) para o empreendimento, vão assumir as unidades no dia 1º de dezembro. Gonçalves informou que a compra, para ser fechada, ainda depende de um decreto presidencial, que só não foi homologado porque o presidente boliviano Hugo Bánzer só deve voltar amanhã de Cuba, onde participa do encontro de cúpula dos governantes do continente.
Foco no Exterior - O diretor da estatal afirmou que, além dos países do Cone Sul e da Bolívia, a área de refino do Caribe e dos Estados Unidos também são "focos" da Braspetro. "Hoje as refinarias americanas e do Caribe têm grande capacidade de refino de óleo pesado", lembrou Gonçalves. Ele afirmou que o objetivo da empresa é tornar-se exportadora deste tipo de produto no futuro.
Este objetivo pode ser um problema para a associação da Petrobras com a estatal venezuelana PDSV, admitiu Gonçalves. Ele explicou que a empresa venezuelana seria uma futura concorrente. O diretor afirmou que as duas empresas têm "conversado" sobre a possibilidade de associação no refino no Nordeste. "Poderíamos refinar o óleo venezuelano em Fortaleza", citou como exemplo.
Ele contou que a Agip também procurou a Petrobras para associar-se nas refinarias de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro
e Paulínia, em São Paulo. Mas, segundo o diretor, negociações mais concretas só devem ser realizadas no ano que vem. Gonçalves disse que a companhia brasileira também esteve "conversando no passado" com a Amerada Hess, mas sem resultados concretos.

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